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quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

a mulher selvagem

Ontem terminei o livro que me fez entender muito de mim mesma. Que me deu muita confiança sobre o que eu sentia. "Mulheres que correm com os lobos - Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem" de Clarissa Pinkola Estés. 
O primeiro contato que tive com esse livro foi quando dei um exemplar para minha mãe, no dia das mães. Não fazia ideia da riqueza da obra, apenas tinha achado interessante o título e como minha mãe é psicóloga junguiana, e o livro falava de um arquétipo, achei que poderia ser interessante para seu caminhar.
Eu comecei a ler este livro em 2016. Mas só consegui terminá-lo agora. Me acontece isso com alguns livros que leio. Parece que as vezes preciso dar um tempo na leitura. Por mais que eu esteja adorando o que leio, de repente não sobra mais tempo, esqueço do livro e assim vai indo. Até que por obstinação eu decido que tenho que terminar a leitura e me entrego novamente.

O conto do final, sobre a donzela sem mãos foi particularmente preenchedor. E no último capítulo, ao falar do "Canto Hondo, o Canto Profundo", senti uma espécie de empurrão.

"Tenhamos em mente que não se pode esconder o que há de melhor. A meditação, a instrução, todas as análises de sonhos, todo o conhecimento dos verdes campos divinos não tem nenhum valor se forem guardados para a própria pessoa ou para uma dúzia de escolhidos. Portanto, apareça. Apareça onde quer que esteja. Deixe pegadas fundas porque você pode fazer isso. Seja a velha na cadeira de balanço que embala uma ideia até que ela volte a remoçar. Tenha a coragem e a  paciência da muher na história do urso da meia-lua, que aprende a ver além da ilusão. Não se distraia queimando fósforos e fantasias como a pequena menina dos fósforos.
Não desista até encontrar a família à qual pertence, como o patinho feio. Despolua o rio criativo para que La Llorona encontre o que lhe pertence. Como a donzela sem mãos, deixe que o coração paciente a guie floresta afora. Como La Loba, colha os ossos dos valores perdidos e cante para devolvê-los à vida. Perdoe tantos quanto puder, esqueça um pouco e crie muito. O que você faz hoje influencia suas descendentes no futuro. As filhas das filhas das suas filhas irão provavelmente lembrar-se de você e, o que é mais importante, seguir seu exemplo." 

Sempre me questionei do porque escrever. Era uma necessidade do ego? A intenção era inspirar pessoas que estão passando por situações semelhantes, e como numa corrente virtual, não nos sentirmos tão só. Quantas vezes fui acolhida por textos, histórias, e publicações de pessoas que mal conheço. Nos desertos que algumas vezes atravessamos na vida histórias como essas são pequenas gotas d´água que encontramos pelo caminho, que costumo interpretar como sinais de que estou no caminho que tenho que estar. 
Clarissa foi um mar nesse sentido.

Quando engravidei, no início, acreditei que essa mulher selvagem existia dentro de mim. Mas por inúmeros fatores, eu não consegui encontrá-la. No momento que mais precisei, foi quando me senti mais desamparada. Eu sabia o poder dela, e não consegui me entregar a ela. Foi doloroso, como toda iniciação. Mas hoje, com a consciência um pouco mais ampliada, consigo perceber a importância de tudo.
Graças a essa torturante iniciação, tive acesso aos conhecimentos que tanto busquei em outros tempos. Não, não precisamos passar por momentos dolorosos para encontrarmos o que buscamos. Mas hoje percebo que situações delicadas servem para nos tirar um pouco da inocência nociva.
Hoje o acesso ao conhecimento é muito fácil, e temos a chance de nos inundarmos com alguns deles muito mais rapidamente. Entre prós e contras dessa facilidade, sou grata por isso.
O conhecimento do feminino profundo chegou até mim por inúmeras fontes: todo o material disponibilizado por Sri Prem Baba, blogs, páginas do Facebook, Instagram, livros, e até as Feiras da Maternarum que participei me proporcionaram algumas conexões essenciais. Que bela colcha de retalhos.

Clarissa também me deixou identificar os ciclos de 7 anos em minha vida.
Menstruei aos 14.
Me formei aos 21.
Meu filho nasceu aos 28.
E dos 28 até os 34, foi o período em que percebi algumas ilusões se desfazendo, e algo mais sólido, profundo e consistente surgindo. Hoje, minha submissão e devoção ao caminho são irrevogáveis. Aos 35, um novo ciclo se inicia. E eu que me achava toda desconexa do mundo selvagem, percebo agora que sempre estive ligada a ele, apesar de não conseguir senti-lo. Fica o lembrete, para que alguns detalhes não se percam. Porque o essencial está apreendido. 

"Por isso, se você estiver a um passo de escapar, de assumir riscos - se ousar agir de modo proibido, procure cavar para encontrar os ossos enterrados mais fundo, fazendo frutificar os aspectos naturais e selvagens da mulher, da vida dos homens, das crianças, da terra. Use seu amor além dos seus bons instintos para saber quando rosnar, quando atacar, quando aplicar um golpe violento, quando matar, quando recuar, quando ladrar até a madrugada. Para viver o mais próximo possível da força espiritual selvagem, a mulher precisa sacudir mais a cabeça, ser mais exuberante, ter mais faro na sua intuição, ter mais vida criativa, enfiar mais a mão na massa, ter mais solidão, ter mais companhia de mulheres, levar uma vida mais natural, ter mais fogo, elaborar mais palavras e as ideias. Ela precisa de um maior reconhecimento por parte das suas irmãs, de mais sementes, mais rizomas mais delicadeza com os homens, mais revolução na vizinhança, mais poesia, mais descrição das fábulas e fatos do feminino selvagem. Mais grupos de costura terroristas e mais uivos. Muito mais canto hondo, muito mais canto profundo.
Ela precisa sacudir o pêlo, percorrer as trilhas conhecidas, afirmar seu conhecimento instintivo. Todas nós podemos afirmar pertencer ao antigo clã das cicatrizes, ostentar orgulhosas as marcas do combate do nosso tempo, escrever nossos segredos nas paredes, não aceitar sentir vergonha, abrir o acesso à saída. Não vamos nos desgastar com a raiva. Pelo contrário, vamos extrair forças dela. Acima de tudo, sejamos espertas e usemos nossos talentos femininos."


sábado, 7 de novembro de 2015

quase 32

Há pouco menos de 1 mês de completar 32 anos, surge aquela vontade inexplicável de escrever.
Os 30 estão sendo realmente marcantes...
Sentia que antes tudo era incerto, apesar da certeza ilusória de que se tem aos 20.
Jurava que seria veterinária a vida toda. Mas não conseguia me imaginar no futuro.
Agora também não consigo, mas já me sinto muito mais no "caminho" do que antes.
Qual caminho? O meu...
Aos 21 fiz uma oração pedindo para Deus me guiar no caminho onde pudesse aprender a amar mais. Havia lido (ou re-lido) "O Dom Supremo", que descrevo como uma releitura da carta de São Paulo aos Coríntios, sobre o amor, ou a caridade, dependendo da tradução da bíblia. Conforme as coisas aconteceram eu percebi que realmente fui guiada por esse caminho, pois parei de comer carne, fazia caridade... Por algum tempo me senti bem, sendo a pessoa que eu sempre quis ser, fazendo o que eu sempre quis fazer... Por algum tempo...
Porque evoluímos e inevitavelmente vamos precisando de "mais". Mais conhecimento, mais aprendizado, mais reflexão. Surgem novas perguntas.
Aos 26, ainda rezando para aprender a amar, fui até Portugal. Ah, amar era tão bom!!
Sempre fui a ingênua que acredita que o amor pode resolver tudo. Até perceber que eu não sabia amar. Lia e relia a minha bíblia, "O Dom Supremo", percebia onde errava, mas sem perceber eu havia subido um degrau e precisava de novos conhecimentos sobre o amor, e mais ainda, sobre mim mesma. Hoje, Sri Prem Baba faz esse papel.

Eu já tinha o conhecimento, já sabia o que fazer. Meditação, auto-observação, presentificação. Mas não conseguia praticar. Era insegura sobre o que dizia meu coração, ou melhor, eu mal conseguia ouvi-lo.
Quando engravidei, me perdi completamente de mim. Racionalizei o processo todo. Estudei, li, discuti. Sentia um medo incrível. Mas não consegui lidar com ele de uma forma produtiva. Eu tratei o medo como um problema, e problemas se resolvem com estudo, pensava eu.

Não foi suficiente obviamente.
E depois, como um processo de luto, cheguei na fase de aceitação e do perdão.
Me perdoe filho, por não ter tido condições de te trazer ao mundo de uma forma mais tranquila, amorosa, e respeitosa. Me perdoe por não ter confiado no meu coração e lutado pelo que eu acreditava.
A maternidade aguçou-me o senso de responsabilidade.
Alguns anos depois do Dudu ter nascido me deparei com uma encruzilhada. A confusão era tamanha que eu não conseguia sequer pensar ou medir consequências, ponderar. O sentimento que me lembra dessa época é: instinto de sobrevivência. Penso que nesses casos, as decisões que tomamos podem parecer irracionais para olhos mais desatentos. Mas existem situações que te chamam a atenção de tal maneira que você é obrigado a encarar a realidade.
Certo dia fui no circo com minha irmã, o Dudu e minha sobrinha. Começamos a rir com o palhaço, e de repente eu estava chorando. Como se o riso tivesse aberto a porta da tristeza e dito a ela: pode vir, aqui é seguro. Aquilo foi tão paradoxal para mim, tão marcante... Fiquei pensando e tentando entender o que realmente estava acontecendo com a minha vida.
Aprendi desde criança: que teu sim seja sim, que teu não seja não. Então eu me vi dizendo não, depois de tanto insistir no sim.

É difícil dizer não para expectativas. Dói dizer não para planos, para compromissos que você pensava ser capaz de honrar, que você queria honrar! É frustrante reconhecer a sua incapacidade de amar plenamente, de aceitar, de compreender. É um martírio você perceber que teu modo de pensar, as coisas que você acredita, suas atitudes, fazem outras pessoas sofrerem. Tem o sentimento de fracasso, tem o sentimento de culpa, não dá pra escapar. Pelo menos eu não consegui.


Com quase 32, quase 1 ano depois do caderno da gratidão, separada, ainda busco o caminho de aprender a amar. É tarefa para muitas vidas, tenho consciência disso. Mas hoje sinto que sementes que foram plantadas nos meus 20 anos, agora começam a criar raízes. E esse tem sido um processo muito mais tranquilo que a fase da plantação.
Abençoados sejam todos os que contribuiram em todas as etapas. Gratidão inclusive pelas pedras, pelas chuvas em excesso, pelos dias de sol escaldante. Hoje, além de agradecer já consigo amá-las como são, na maior parte das vezes. Gratidão também pela água nos dias de seca, pelos adubos que fui recebendo, pela sombra nos momentos necessários.



E que venham muitas primaveras, se assim for da vontade de Deus! 












segunda-feira, 27 de abril de 2015

Gratidão ao universo

Tem uma coisa borbulhando dentro de mim e eu senti que a única maneira de trazer isso para o concreto era escrever um post!
E essa coisa borbulhando se chama GRATIDÃO!
Eu não sei explicar, eu apenas sinto.
Estou passando por um momento complicado em vários aspectos da minha vida. Se eu te contasse metade você diria que eu estaria maluca por sentir gratidão.
Mas além da gratidão, eu te conto que sinto outra coisa, uma coisa que sempre me foi muito difícil para sentir, e que por acaso ontem, eu estava a um fio de perdê-la, que é a FÉ.
Fé de que as coisas vão dar certo, fé de que eu e todos os seres do planeta somos merecedores de alegria, amor, saúde, paz, prosperidade, felicidade!
Essa constatação, ou esse insight veio se construindo em mim a vida inteira.
Me senti como diz o Jung neste post em que transcrevi um trecho de seu livro.
"A coisa mais importante é o aqui e o agora. Este é o momento eterno, e se não o percebes, perdeste a melhor parte da vida, perdeste a percepção de que és portador de uma vida contida entre os pólos de um futuro inimaginável e de um inimaginável e remoto passado. Milhões de anos e incontáveis milhões de antepassados trabalharam para este momento, e tu és o cumprimento deste momento."
 Eu acho que não estou conseguindo transmitir o tamanho da minha alegria ao perceber estes sentimentos, ou talvez seja apenas um pico da minha bipolaridade hahahahaha. (não, até onde eu sei não sou bipolar) :P

Poderia escrever um livro descrevendo onde percebo todos os pontos da minha vida se conectando.
Me vem a imagem que vi na TEDx talk do Augusto de Franco que participei.


Mas para você ter uma noção mais clara do que quero dizer, assista (de novo para alguns) esse vídeo do Steve Jobs.


Engraçado como assistir de novo depois de alguns anos faz bem pois mudamos o foco do que nos chama a atenção.

Mas gostaria de partilhar com vocês duas coisas que me despertaram hoje: fazer o minicurso GRÁTIS da Melodia Moreno: "Como ganhar dinheiro online ensinando o que você sabe e ajudando outras pessoas". Então se você ficou curioso, corre no site clicando aqui que ainda está disponível!
A outra foi o Satsang do Sri Prem Baba que você pode ler aqui.
Eu não faço ideia de quem esse Sr. seja, mas eu me identifico muito com pequenas publicações que ele faz no seu facebook com o nome de Flor do Dia. A de ontem me chamou particularmente a atenção e resolvi fazer uma coisa que nunca fazia "por falta de tempo", que foi ler o Satsang completo.
E então tive essa epifania, que não podia deixar de confiscá-la aqui.
Tanto que nem consegui terminar de lê-lo. Tive que seguir meus instintos e parar para escrever esse post. E parei justamente quando li e reli essa frase e não conseguia prosseguir. Foi quando resolvi dar voz para minha intuição e parir esse post :)
"Parece que o principal aspecto da humanidade é a capacidade de se doar, é a capacidade de criar união, de colocar o amor em movimento através dos dons e talentos. E do humano podemos evoluir para o estado divino, podemos, em algum momento, ser canais da perfeição divina, que é quando transcendemos a consciência humana e nos identificamos com a consciência crística, com a consciência búdica. É quando reconhecemos a nossa natureza crística, a nossa natureza búdica; quando reconhecemos que somos esse princípio de vida única, por trás da ideia de que somos um nome, de que somos nossa história, de que somos um corpo, de que somos um ego. Ou seja, quando encontramos a unidade dentro da multiplicidade."
E para finalizar, mais um dos pontos da minha vida! Confiscado :)


domingo, 15 de março de 2015

a coragem de ser quem sou

Quando começo a compreender alguma coisa dentro de mim, surge essa necessidade de deixar registrado aqui, pois imagino que possa ajudar outras pessoas a se entenderem como muitos textos me ajudaram a chegar até aqui.
Essa semana, duas coisa me marcaram. 
Uma percebi logo o motivo. Este texto aqui fala justamente da mudança interna que algumas mulheres vivem depois da maternidade. 
Selecionei um trecho que me identifiquei:
"Dá uma vontade imensa de se redescobrir e reinventar. A maioria muda o cabelo. Mas há aquelas que mergulham em águas mais profundas e descobrem uma força e uma capacidade sem limites que nem imaginavam possuir. Essas mulheres esvaziam gavetas, jogam fora caixas e viram suas vidas de ponta cabeça, buscando um sentido maior, um amor que seja tão grande, um trabalho tão cheio de significado e realização. A maternidade traz coragem."
Outra coisa foi esta foto abaixo, que eu já havia visto em outras ocasiões, achei engraçado e dessa vez ficou aparecendo na minha timeline do facebook e eu não entendi muito bem. Mas hoje a noite ela me fez sentido.

Fazendo um retrospecto, observei que nos únicos dois momentos dos meus 30 anos que deixei de ouvir meu coração, coisas bem dolorosas me aconteceram. Uma delas foi quando aceitei que o Dudu nascesse num hospital, ignorando completamente meus instintos, e o resultado já escrevi aqui no blog. 
A outra, foi quando aceitei deixar o Dudu em uma creche, novamente, indo contra os meus instintos, e o resultado também foi muito doloroso, conforme contei aqui. 

Então, chega um determinado momento, que plim plim, as fichas caem, você percebe que a vida é muito curta e frágil, como cantou Nando Reis.
"Que a vida é mesmo
Coisa muito frágil
Uma bobagem
Uma irrelevância
Diante da eternidade
Do amor de quem se ama" - Por onde andei - Nando Reis

E que já chega de ignorar seu coração.
Só que como tudo na vida, ouvir seu coração tem consequências. A primeira delas é você ser incompreendido (pelos outros), e consequentemente, julgado. Tribunal de causas realmente pequenas, como cantou Pato Fu.
"Você pensa que faz o que quer
Não faz
E que quer fazer o que faz
Não quer..."
 Tá sonoro o post né? :)

E é aqui que entra a dona coruja com a coragem junto com a dona maternidade. Coragem de mudar, de encarar as consequências, mesmo sabendo que se olhar por um outro lado, também vai haver dor, e que provavelmente há uma dor que vai durar para sempre. Assim pude entender um pouco do que a Elizabeth Gilbert contou no seu livro.
Mas o processo não foi assim: acordei com coragem, vou mudar minha vida.
Só hoje, alguns meses depois é que enxergo a coragem, ou seria o tal empoderamento? Até agora me senti e sinto guiada pelo meu coração e por uma força maior. Pois não há uma explicação lógica, muitas pessoas não compreendem. E como já falei num outro post, é mesmo difícil que as pessoas nos compreendam.
Isso me lembrou uma foto que vi também pela minha timeline do facebook, daqui.


Acho que esse deve ser um curso extremamente interessante e fiquei muito curiosa para entender a proposta e o processo. Pois considero muito difícil se colocar no lugar do outro em alguns casos. Coisas que não significam nada para mim podem ser de suprema importância para o outro e nem sempre é fácil perceber isso.

Mas voltando a coragem e maternidade. Toda a mudança que fiz na minha vida recentemente foi para seguir um instinto materno. Foi para encontrar um trabalho que me permite a liberdade de cuidar do meu filho quando ele está doente. Que me permite acompanhar de perto seu crescimento, sua educação, sem delegar isso para outras pessoas ou instituições que não a família.
Abri mão de inúmeras coisas, e também de coisas que não são coisas, e que fazem uma falta imensa. Mas não conseguiria viver em paz comigo mesma se não ouvisse dessa vez o meu coração.
Seria isso egoísmo? Ou seria amor-próprio? E me lembro da frase de Jesus: "Amai ao próximo como a ti mesmo"  e penso: como poderia amar alguém plenamente se não me amo respeitando meus próprios instintos? Se não me amo seguindo o que meu coração diz.
Com isso me lembro uma conversa que tive uma vez com minha terapeuta, muitos anos atrás. Na hora que ela me falou, o argumento fez todo sentido. Mas depois não conseguia me lembrar do argumento. Era porque não tinha encontrado a resposta por mim mesma. Eu me questionava sobre a necessidade de fazer um trabalho voluntário como forma de me aprimorar moralmente e ajudar as pessoas. Ela disse que eu poderia fazer, mas que a melhor forma de ajudar as pessoas era primeiramente me melhorando, investindo tempo em mim, no meu auto-conhecimento, pois esse movimento acende um ponto de luz na rede cósmica e traz um bem muito maior e mais amplo do que centenas de horas de trabalho voluntário. Somente através da força indomável do exemplo, é que mudanças profundas e verdadeiras vão surgir. Inconscientemente, o sentido dessa conversa ficou gravado em mim e agora tudo se encaixa.
Só posso educar o Dudu através do exemplo. E lembrando um texto que o Júnior me mostrou antes de nos encontrarmos, é esse exemplo que quero poder ensinar... filho, ouça o seu coração. Eu estarei sempre ao seu lado.

"Os homens têm medo de realizar seus maiores sonhos porque acham que não o merecem, ou não vão conseguir!
Mas o medo não é uma coisa concreta. Ele está em seus corações!!
Os corações morrem de medo só de pensar em amores que partiram para sempre... Em momentos que poderiam ter sido bons e não foram...
Quando isso acontece, acabamos sofrendo muito e o coração tem medo de sofrer.
Mas o medo é pior que o próprio sofrimento.
Nenhum coração jamais sofreu quando foi em busca de seus sonhos, porque cada momento de busca é um momento de vida, de energia, de encontro com Deus e com a eternidade.
Então... Ouça seu coração!
Ninguém consegue fugir dele.
Por isso, é melhor escutar o que ele fala para que não venha um golpe que você não espera, porque você jamais vai conseguir mantê-lo calado.
Mesmo que finja não escutar o que ele diz, ele estará dentro do seu peito, repetindo o que pensa sobre a vida e o mundo...
O dia inteiro...
O tempo todo...
Ainda bem!
Por isso, ouça o seu coração!" Paulo Coelho

Faz tempo que escrevi esse post, provavelmente no final de 2014, mas não havia publicado. Hoje li uma coisa que me fez reler o post e decidi publicá-lo. O engraçado é que esse texto me lembrou de um outro, que também faz todo sentido... " Isso tem a ver com o quanto dois caminhos se aproximam ou se distanciam."
E por enquanto, é assim que minha vida segue apreendida por essas reflexões todas, pela coragem de rumar ao desconhecido, mas com o coração tranquilo, em saber que estou sendo fiel ao meu chamado, ou a minha bem aventurança.
E a música que marca essa época: Concrete Bed - Nada Surf
"To find someone you love, you gotta be someone you love."

quarta-feira, 9 de julho de 2014

eu não me torno, eu não sou.

Eu não me torno uma boa mãe por conta de todos os textos que leio sobre maternidade.
Eu não me torno uma boa pessoa por conta de todos os vídeos de ações bondosas que assisto.
Eu não me torno uma pessoa caridosa por conta de todas as pessoas caridosas que admiro.
Eu não me torno uma empreendedora por conta de tudo que já li sobre empreendedorismo.
Eu não me torno uma yogini por conta das práticas que tive no passado ou pelo que já li sobre yôga.
Eu não sou uma cientista por ter um título de mestrado e meio doutorado.
Eu não sou médica veterinária por ter cursado essa faculdade.
Eu não sou escritora por escrever um blog.
Entre outros...

Apesar de querer ser tudo isso.

É muito mais que isso.

É se despojar do ego, ir lá e fazer. O tal do "dar a cara a tapa", sabe? É o velho ditado: quem quer faz, quem não quer, inventa uma desculpa.
Simples assim.

Mas a gente complica. Inventa razões, olha para o próprio umbigo. Dimensiona nossas limitações e as disfarça com uma lamentação: Eu queria tanto! Mas...

Consumimos informações que nos satisfazem. Como bem pontuado neste vídeo aqui. Mas que não nos levam a nenhum lugar palpável. Já falei também sobre esse sentimento neste texto.
Só nos tornaremos melhores quando começarmos a produzirmos, errarmos, aprendermos, e sairmos do nosso mundo imaginário de admirar pessoas e assistir vídeos.

Claro que isso é um começo! Uma direção, uma inspiração, bem melhor do que se manter ignorante sobre o que se quer ser. Mas é preciso uma dose extra de esforço e coragem, para reconhecer que apenas isso não serve de muita coisa.

Coragem, pois é difícil olhar para si mesmo e não reconhecer a pessoa que se queria ser (ou se pensa ser). E ainda assim arrumar energia para sair da inércia interior e correr atrás do tempo perdido.

Pelo menos para mim...
Apreendido, por enquanto.




sexta-feira, 2 de maio de 2014

sobre o inimaginável

Acho que nunca fui muito de me surpreender com as coisas pois logo cedo percebi que deveria esperar tudo de todos.
Mas quando fiquei grávida, a maior reviravolta em todos os aspectos da minha vida, jamais poderia imaginar nem 1% das mudanças que a vinda do Dudu traria.
Ontem o Dudu fez 2 anos, e a única palavra que veio na minha cabeça por este momento foi inimaginável.
Nunca poderia imaginar nada do que me aconteceu depois que ele nasceu... Nem antes também. Mas depois que tive ele em meus braços pela primeira vez, pronto, estava feito. Na hora, nos dias que se seguiram, ainda não podia dimensionar o tamanho da mudança. Hoje, 2 anos depois, fica mais fácil visualizar. Uma mudança com data para se iniciar, que só me trouxe coisas boas, mas sem previsão para terminar. Uma gratidão sem fim...
Não sei se existe alguma maneira de se preparar para todas as mudanças que um filho traz na nossa vida.
Nem sei se eu teria como explicá-las, nem que fosse grosseiramente... Só isso já daria um livro.
Eu que sempre adorei mudanças, sendo repetitiva, jamais poderia imaginar estas provenientes da maternidade. O mais incrível, é que não foram mudanças planejadas (exceto o momento que decidimos ter um filho). Não planejei nada além disso. As coisas simplesmente foram acontecendo, me tragando, me sugando com uma força que eu tinha sentido em poucos momentos (como quando senti que tinha que ir e fui para Portugal conhecer meu futuro esposo :)

Uma vez ouvi assim: " Se a vida é uma escola, o casamento é a universidade". E hoje posso acrescentar, os filhos são a pós graduação.
Mas gostaria de deixar registrado aqui que não estou dizendo que quem não tem filhos é pior (ou melhor) por causa disso. Eu admiro e apóio completamente as mulheres que escolhem não serem mães. Acho uma atitude extrememamente corajosa e tenho certeza que na maioria das vezes foi muito mais bem pensada, refletida e proveniente de um grande auto-conhecimento do que muitas mulheres-mães que vemos por aí.
Mas dentro da minha experiência, ser mãe é a minha maior oportunidade de aprender a amar, de me auto-conhecer, de me entregar, de ser uma pessoa melhor...
Diariamente, sinto uma gratidão sem tamanho a Deus e a todos que me proporcionam pequenos, grandes e imensamente significativos momentos com meu filho.
Sei que sou privelegiada em inúmeros aspectos, e um entre inúmeros aprendizados foi o de não julgar (alto lá, que não sou perfeita, mas quando consigo me perceber neste movimento, tento mudar o rumo do pensamento). Nunca saberemos exatamente o que cada um passou, e mais importante ainda, como verdadeiramente encarou determinadas situações. Mais uma chance para aprender a respeitar, compreender, ter paciência e compaixão.

Dudu, meu pequeno... obrigada! Jamais conseguirei expressar toda minha gratidão por ter você como filho, muito menos o tamanho do meu amor, que é tão imperfeito, mas é o melhor que consigo te dar neste momento.


segunda-feira, 24 de junho de 2013

fui tragada.

Fui sugada. Me engoliu e não devolveu mais. Mudou minha perspectiva, meu rumo, meu sumo.
E preciso assumir isso.
Passei uma parte da manhã lendo alguns posts deste blog: potencial gestante.
Descobri através do grupo sobre Gestação, Parto e Maternidade que participo no facebook. Recomendavam ler o relato de parto domiciliar que diziam ser emocionante.
E lá fui eu.
Depois, enquanto preparava o almoço, caiu a ficha.
Fui mesmo tragada pela maternidade.
Acho que nunca li tanto, e por tanto tempo, sobre um mesmo assunto.
Não sei quanto tempo isso irá durar, nunca sei. Mas a realidade hoje é essa.
Meu esposo disse que mudei. É verdade, mudei de ideia, troquei prioridades, mergulhei fundo sobre esses assuntos durante a gravidez, e achei que depois ia passar. Mas não passou. 1 ano depois e eu ainda leio inúmeras coisas sobre essa tal maternidade.
E por que preciso assumir isso?
Primeiro porque acho que faz parte do processo, reconhecer e assumir algumas coisas.
Depois porque quero deixar isso documentado.
E por que?
Lá vem uma história...
Quando morava em Lisboa fui a um TEDxEd. O evento mostrava novas perspectivas de educação. A história de um pai me chamou a atenção, o palestrante Paulo Mateus. Gestor financeiro, consultor bancário de carreira internacional. Que viu sua vida profissional levando-o cada vez mais distante dos filhos. Basicamente ele então teve uma ideia, largou tudo, criou uma empresa que produziu uma plataforma (weduc) para auxiliar os pais (e também a escola) a acompanharem os filhos no colégio.
Lindo.
Mas logo me veio a pergunta. De onde surgiu essa ideia??? Eu perguntei para ele, mas a resposta foi apenas uma repetição do que ele havia dito na TED talk. Talvez não tinha sido clara na minha dúvida. Expectativa.
Eu esperava que ele descrevesse seu insight, do tipo, eu acordei e tive essa ideia. Ou, pensei nisso, nisso, nisso e nisso e juntei tudo e surgiu a ideia.
Queria eu, uma receita de como mudar o rumo da carreira com sucesso.

Mas hoje eu percebo que mudança é processo.
Para mim, nada é muito claro, então tenho que marcar alguns pontos, para me encontrar depois.
É isso que quero segurar por hoje: fui tragada. Para um mundo encantador, transformador, mágico, lindo, feliz, e acrescento também, nas palavras do meu esposo: "um mundo com fadas, sereias e uma floresta encantada" :)
A maternidade!
Foto por Adriana Morais. 
Make up da barriga por Kaira Cavaliere.