Mostrando postagens com marcador decisões. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador decisões. Mostrar todas as postagens

sábado, 7 de novembro de 2015

quase 32

Há pouco menos de 1 mês de completar 32 anos, surge aquela vontade inexplicável de escrever.
Os 30 estão sendo realmente marcantes...
Sentia que antes tudo era incerto, apesar da certeza ilusória de que se tem aos 20.
Jurava que seria veterinária a vida toda. Mas não conseguia me imaginar no futuro.
Agora também não consigo, mas já me sinto muito mais no "caminho" do que antes.
Qual caminho? O meu...
Aos 21 fiz uma oração pedindo para Deus me guiar no caminho onde pudesse aprender a amar mais. Havia lido (ou re-lido) "O Dom Supremo", que descrevo como uma releitura da carta de São Paulo aos Coríntios, sobre o amor, ou a caridade, dependendo da tradução da bíblia. Conforme as coisas aconteceram eu percebi que realmente fui guiada por esse caminho, pois parei de comer carne, fazia caridade... Por algum tempo me senti bem, sendo a pessoa que eu sempre quis ser, fazendo o que eu sempre quis fazer... Por algum tempo...
Porque evoluímos e inevitavelmente vamos precisando de "mais". Mais conhecimento, mais aprendizado, mais reflexão. Surgem novas perguntas.
Aos 26, ainda rezando para aprender a amar, fui até Portugal. Ah, amar era tão bom!!
Sempre fui a ingênua que acredita que o amor pode resolver tudo. Até perceber que eu não sabia amar. Lia e relia a minha bíblia, "O Dom Supremo", percebia onde errava, mas sem perceber eu havia subido um degrau e precisava de novos conhecimentos sobre o amor, e mais ainda, sobre mim mesma. Hoje, Sri Prem Baba faz esse papel.

Eu já tinha o conhecimento, já sabia o que fazer. Meditação, auto-observação, presentificação. Mas não conseguia praticar. Era insegura sobre o que dizia meu coração, ou melhor, eu mal conseguia ouvi-lo.
Quando engravidei, me perdi completamente de mim. Racionalizei o processo todo. Estudei, li, discuti. Sentia um medo incrível. Mas não consegui lidar com ele de uma forma produtiva. Eu tratei o medo como um problema, e problemas se resolvem com estudo, pensava eu.

Não foi suficiente obviamente.
E depois, como um processo de luto, cheguei na fase de aceitação e do perdão.
Me perdoe filho, por não ter tido condições de te trazer ao mundo de uma forma mais tranquila, amorosa, e respeitosa. Me perdoe por não ter confiado no meu coração e lutado pelo que eu acreditava.
A maternidade aguçou-me o senso de responsabilidade.
Alguns anos depois do Dudu ter nascido me deparei com uma encruzilhada. A confusão era tamanha que eu não conseguia sequer pensar ou medir consequências, ponderar. O sentimento que me lembra dessa época é: instinto de sobrevivência. Penso que nesses casos, as decisões que tomamos podem parecer irracionais para olhos mais desatentos. Mas existem situações que te chamam a atenção de tal maneira que você é obrigado a encarar a realidade.
Certo dia fui no circo com minha irmã, o Dudu e minha sobrinha. Começamos a rir com o palhaço, e de repente eu estava chorando. Como se o riso tivesse aberto a porta da tristeza e dito a ela: pode vir, aqui é seguro. Aquilo foi tão paradoxal para mim, tão marcante... Fiquei pensando e tentando entender o que realmente estava acontecendo com a minha vida.
Aprendi desde criança: que teu sim seja sim, que teu não seja não. Então eu me vi dizendo não, depois de tanto insistir no sim.

É difícil dizer não para expectativas. Dói dizer não para planos, para compromissos que você pensava ser capaz de honrar, que você queria honrar! É frustrante reconhecer a sua incapacidade de amar plenamente, de aceitar, de compreender. É um martírio você perceber que teu modo de pensar, as coisas que você acredita, suas atitudes, fazem outras pessoas sofrerem. Tem o sentimento de fracasso, tem o sentimento de culpa, não dá pra escapar. Pelo menos eu não consegui.


Com quase 32, quase 1 ano depois do caderno da gratidão, separada, ainda busco o caminho de aprender a amar. É tarefa para muitas vidas, tenho consciência disso. Mas hoje sinto que sementes que foram plantadas nos meus 20 anos, agora começam a criar raízes. E esse tem sido um processo muito mais tranquilo que a fase da plantação.
Abençoados sejam todos os que contribuiram em todas as etapas. Gratidão inclusive pelas pedras, pelas chuvas em excesso, pelos dias de sol escaldante. Hoje, além de agradecer já consigo amá-las como são, na maior parte das vezes. Gratidão também pela água nos dias de seca, pelos adubos que fui recebendo, pela sombra nos momentos necessários.



E que venham muitas primaveras, se assim for da vontade de Deus! 












quarta-feira, 27 de maio de 2015

coisas para se pensar antes de decidir ter um filho

Eu não li nada do tipo quando decidi com meu marido que iríamos ter um filho.
Acho que isso era uma das poucas certezas que tinha dentro de mim, então não pensei duas vezes. Faria exatamente igual.
Mas pensar sobre certas coisas, hoje sendo mãe e passando pelo que passei, talvez me ajudassem a lidar melhor com algumas situações.
Talvez eu seja meio radical em algumas posições. Eu juro que queria ser mais flexível em algumas coisas, mas vida é processo de aprendizagem né, então pode comentar a vontade a sua opinião e vamos aprender juntos! Por isso, esse não é um post romântico.
Espero que possa te ajudar de alguma maneira também :)

1) Não dá pra fazer ideia do tamanho da transformação que um filho faz na nossa vida. É simplesmente inimaginável. Pelo menos para mim foi. Então se você não é lá muito fã de mudanças... ou se prepara ou deixa essa ideia pra lá.
2) Seu corpo muda. (óbvio hahahah), mas você pode amar, e se achar linda e maravilhosa, ou detestar. Eu adorava estar grávida, me achava linda. Mas conheço pessoas que detestam essa parte. Então, auto-conhecimento e auto-estima na veia. Porque o sexo pode mudar também. Você pode não querer nem saber, ou virar a grávida ninfomaníaca! E a relação com teu companheiro neste aspecto também. Uns podem adorar, outros não. Para isso, sempre vale uma longa conversa onde cada um exponha seu ponto de vista e encontrem uma maneira de viverem em paz neste sentido, seja lá o que for paz para vocês :)
3) Suas prioridades podem mudar. No meu caso mudaram completamente, basta ler alguns textos daqui para você ter uma noção. Mas conheço pessoas que não mudaram em nada. Algumas coisas não tem como escapar, a não ser que você terceirize a criação do seu filho. Mas se for assim, para que ter filho então?
4) Você vai precisar desenvolver novas características ou aprimorar se já tiver.
Paciência: em diversas ocasiões e em diversos formatos. Seu filho não tem culpa que vc teve um dia cansativo no trabalho. Seu filho não tem culpa se você não está feliz com seu trabalho. Seu filho não tem culpa se seu esposo brigou com você. Seu filho não tem culpa se você não compreende o choro dele. Seu filho não tem culpa de nada entendeu?
Pra isso você vai precisar se superar e superar tudo de ruim dentro de você para dar a ele toda a atenção e amor que ele (e todos os seres) merecem. Frases do tipo: "Você está me tirando do sério/ Eu estou perdendo a paciência" não querem dizer nada, pois você é o adulto e se o seu limite de tolerância é baixo, trate de aumená-lo. Seu filho (nem ninguém na verdade) devem pagar pelas tuas frustrações, cansaço, ou qualquer coisa do tipo.
Pense no seu filho como um adulto. Se fosse seu melhor amigo, você falaria com ele aos berros? Bateria para ensinar? Colocaria de castigo? Se você respondeu não, então não faz sentido fazer isso com seu filho também, faz? E não vale dizer que ele é criança e não entende. Se você não percebe a capacidade de entendimento do seu filho ou não consegue se comunicar de uma maneira que ele entenda, então vai estudar. De novo, a culpa não é dele, você é o adulto e está ali para ensinar respeito, tolerância, amor e compaixão. Deixa o celular de lado um pouquinho e vai ler. Para o seu bem, do seu filho e de toda a humanidade.
Mas não vai ler aquelas tretas da adestradora de bebês, por favor! Sugestões de leitura no final do post ;)
5) Se não quer ficar sobrecarregada com os serviços da casa + cuidar do filho, comece a conversar com seu companheiro sobre a divisão das tarefas domésticas e de como vão organizar isso quando o bebê nascer. Acredite, uma louça suja sobre a pia pode ser motivo de discussão, e convém evitar isso quando estão todos tentando se adaptar com o bebê e uma nova rotina e tudo mais.
6) Trabalho. Converse com o seu companheiro sobre isso. Você vai precisar trabalhar? Você quer continuar trabalhando depois que seu bebê nascer? Onde você vai deixar seu filho? Quais as suas opções? Pode ser que você não queria mais trabalhar com o que trabalha no momento, pode ser que você queira ter mais tempo para acompanhar o seu filho, os primeiros passos, as primeiras palavras. E aí, como faz? Vai pensando... Mas lembre-se, existem inúmeras opções, você só precisa decidir o que quer fazer. Dica: procure por empreendedorismo materno :)
7) Rede de apoio. Você tem família por perto pra te ajudar na hora do aperto? Amigos? Alguém com quem contar? Seja para conversar, seja para lavar a louça, seja pra te tirar daquela loucura de troca de fraldas e peito e te mostrar que ainda existe vida depois disso tudo :P Pode parecer bobeira, mas tem horas que só de sair de casa já te faz dar uma espairecida. Vale também conversar com outras mães, mesmo que elas fiquem contando que o bebê delas dorme a noite inteira, já vale pra distrair um pouco.
8) Convicções. É melhor você ter bem definido com seu companheiro como vocês vão fazer as coisas. Desde o parto - onde e como(a escolha é sua, mas saber se ele vai te apoiar ou não e o que vc vai fazer com isso poupa frustrações), amamentação (idem ao parto, o corpo é seu, vc decide), criação, onde o bebê vai dormir, o que vai comer, médico, etc. Saber o que cada um pensa sobre o assunto ajuda bastante, seja para exercitar a compreensão, seja para um apoiar o outro quando os pitaqueiros entrarem em ação.
9) Sua própria infância. Como seus pais te tratavam? Como você se sentia? Você quer fazer da mesma maneira? Quer que seu filho sinta o que vc sentiu? Quer fazer diferente? Não sabe como? Decida e siga. Estude, converse, leia, informe-se! Até onde eu sei essa é a única maneira... Tem um texto bacana aqui para você começar a se aventurar nessa parte :)
10) Tempo: Filhos tomam tempo, não tem como (a não ser que vc terceirize, mas de novo, pra que ter filho então?). E como vc vai lidar com isso? Como vai ser para você abrir mão das horas livres, do salão de beleza, do cinema com o companheiro, do café com as amigas, do passeio no shopping, do happy hour com a turma do trabalho? Uma coisa ou outra vc talvez até consiga manter, mas está preparada para abrir mão de algumas? Seu esposo vai ficar com seu bebê para você ir no salão? Acha que sim? Dá uma confirmada antes, não custa! Sua mãe vai topar ficar com o bebê na sexta a noite para vc curtir um jantar romântico? Pergunta lá... É bom ir conversando sobre essas coisas, por mais que pareça algo distante da tua realidade no momento, com filhos, planejamento é a palavra de ordem. Te poupa muito stress!
11) Birras e educação. Seu filho vai fazer uma birra em local público pelo menos uma vez na vida. E aí, já pensou em como vai lidar com isso? E não vai achando que isso é coisa de criança mimada, porque não é. Birras são a maneira da criança manifestar sua incapacidade de lidar com a situação naquele momento, e isso é ciência, é formação cerebral em desenvolvimento. Você achar que é manha e que ela precisa de limites não vai resolver... mas isso você só vai saber se tentar entender e se conectar com seu filho. Então, você está disposta a investir tempo nisso? Ou vai ser mais fácil ameçar bater, chantagear? Vai pensando...
12) Sua sanidade mental. Bom, pensar sobre isso pode parecer engraçado, mas na hora que seu filho estiver berrando desesperadamente, seu companheiro te olhando com aquela cara: faz ele parar de chorar, seu vizinho interfonando porque são 3 da manhã e ele precisa dormir e você totalmente perdida sem saber o que fazer... se você não tiver o tal do "sangue-frio" para analisar a situação tranquilamente e ver que seu bebê não quer ficar no berço sozinho e sim no aconchego do seu colo e você dar isso a ele, a coisa complica... Existe muita pressão com crianças chorando, principalmente quando elas não dizem o que sentem. É uma sensação de impotência pois você fica sem saber o que fazer. Para isso você precisa estar tranquila com a situação, e em paz com suas convicções. E claro, confiante de que está fazendo o que considera melhor para o seu filho. Óbvio que falando assim parece super fácil, mas a prática tem os seus percalços e você precisa estar preparada para eles também. São normais, acontecem, não se culpe! Dúvidas brotam na nossa cabeça de lugares que sequer imaginávamos existir... e aceite, é normal! Tenha em mente coisas que te fazem bem e pense em como fazer para poder usufruir delas quando a coisa apertar. Uma vez li que para uma mulher era essencial acordar e poder tomar um banho bem relaxada. Ela combinou com o companheiro que isso era um momento dela e era necessário, então eles se organizaram para ela poder fazer isso. Entende o que quer o dizer?
13) Já mencionei a divisão das tarefas de casa e cuidados com o bebê né?
14) Onde o bebê vai dormir? No berço, na cama com vocês, no carrinho? Eu comprei berço quando o Dudu nasceu, hoje se tivesse outro filho não gastaria dinheiro com isso. A cama compartilhada me facilitou muito a amamentação, me deixou dormir muito mais do que se tivesse que ficar levantando para pegar filho no berço, amamentando, fazendo dormir e colocando no berço para dali a 15 minutos ele chorar e eu ter que levantar de novo. E isso tem uma explicação: bebês não foram feitos para dormirem sozinhos. Informe-se :)
15) Fraldas. Descartáveis não são a única opção! As fraldas de pano modernas são ótimas e fazem um bem danado para a natureza :) E tem gente que até nem usa fralda, acredite (procure por Elimination Comunication, ou leia um pouco mais aqui)
16) Como você vai carregar o bebê. Existem outras opções além de carrinho e canguru! Já conhece o sling? É fisiológico, os bebês amam e ficam muito mais tranquilos!
17) Seu filho pode nascer com algum problema. Calma, não é sentença de morte! Bom, de certa forma vai ser, um processo de morte das expectativas. O fato é que essa possibilidade existe e seria legal se vc conseguisse pensar sobre ela. Não pensar para desistir, mas pensar para aceitar caso aconteça. Maternidade também é aceitação. Aceitar que não temos controle de tudo, que não somos super-heroínas, que independente de como criamos, eles são livres e podem seguir um caminho que não concordamos, aceitar que irão nos surpreender, aceitar que vamos chorar na apresentação da escola, aceitar de que vai passar muito rápido e que o que vai valer a pena foram os momentos que vocês passaram juntos.

Que eu me lembre, por enquanto, é isso. Sempre que surgirem outras coisas eu vou atualizando aqui!
E aí, o que achou? :)

Sugestão de leitura:
Maternidade e o encontro com a própria sombra - Laura Gutman
O Poder do Discurso Materno - Laura Gutman
Mulheres visíveis, mães invisíveis - Laura Gutman (este é um apanhado com vários textos da autora. Vale a pena para quem quer ter uma noção geral do que ela diz)
Besame mucho - Como criar seus filhos com amor - Carlos González (é difícil encontrar para vender, eu só consegui o pdf pela internet)
O livro da maternagem - Dra. Relva
Educar sem violência: criando filhos sem palmada. Ligia Moreiras Sena e Andréia Mortensen
Soluções para noites sem choro - Elizabeth Pantley
Memórias do homem de vidro - Ricardo Jones
Entre as orelhas. Histórias de Parto - Ricardo Jones

Nessa loja virtual tem vários outros títulos interessantes e que valem muito a pena!

Existem depois um sem fim de blogs, artigos, páginas... Cabe a você decidir quão fundo você quer ir nesse novo mundo da maternidade ou da felicidade :)



Você pode ter estranhado eu não ter falado do lado "bom" disso tudo, mas minha intenção neste texto não foi essa. Até porque eu não considero todas essas coisas "ruins". Sou grata por cada momento e situação que passei pois foram oportunidades únicas de aprendizado que eu jamais teria se não fosse mãe <3  E também porque não sou muito boa em dizer sobre o indizível e o infinito...
Confiscado ;)





quarta-feira, 6 de maio de 2015

Onde se perdeu?

O Dudu fez 3 anos dias atrás. E misteriosamente, algumas coisas se resolvem dentro de mim neste período...
Dessa vez surgiu uma pergunta, referente a certos fatos que demorei a admitir, aceitar, compreender.
Durante boa parte da minha vida eu me senti desconectada de mim mesma. Nunca conseguia discernir muito bem o que dizia minha voz interior. Sempre haviam infinitas perguntas e pouco espaço silencioso para as respostas surgirem. Com isso minha mente se alimentava de perguntas e mais perguntas.
Mas em alguns momentos eu comecei a perceber que simplesmente sentia o que era preciso fazer e ia lá e fazia. Quando decidi não imendar um doutorado foi assim, e o mesmo quando decidi ir para Portugal fazer woofing e conhecer o Júnior. Parecia loucura, havia alguns riscos, mas incrivelmente eu não sentia medo nenhum ou dúvida alguma sobre o que deveria fazer. E tudo corria muito bem.
Exceto no aspecto profissional, mas isso é outro assunto.
Quando engravidei e minha colega de trabalho me emprestou o livro do Ric Jones - Memórias do Homem de Vidro, eu voltei a sentir uma dessas certezas. Ao terminar o livro eu tinha total e absoluta certeza no meu coração que eu queria que o Dudu nascesse em casa. Não queria ter que ir para o hospital. Eu sabia que assim as coisas não iriam correr bem. Me conhecia o suficiente para saber minhas necessidades.
Mas as pessoas ao meu redor não. Então comecei uma "batalha". Primeiro para convencer meu esposo de que eu precisava de uma doula nesse momento. Ele concordou, entrevistamos várias mulheres e encontramos a nossa. Agora eu precisava mostrar a ele porque eu queria ter nosso filho em casa. Eu virei a "maluca" do parto. Mandava-lhe vídeos, textos, conversei com um enfermeiro obstetra, assistimos documentários, inúmeros vídeos de parto. Contei-lhe do meu medo e ir para o hospital. Mas ele disse que não se sentia seguro para que nosso filho nascesse em casa. Preferia que eu fosse para o hospital.
Meu medo só aumentava, junto com a minha barriga. Me lembro de uma vez em que chorei desesperadamente ao falar com meus pais pelo skype explicando-lhes também que eu não queria ir ao hospital para ter o Dudu. Eles concordavam com o Júnior e me senti desamparada e incompreendida. Até quando comentei com a nossa doula que gostaria muito de um parto domiciliar, ao qual ela disse que havia conversado com o Ricardo Jones e que ele havia recomendado um parto hospitalar devido a um problema de tireóide que tenho. O problema em si não exclui a possibilidade de parto domiciliar, o porém seria se eu tivesse alguma complicação e a repercussão que isso poderia ter.
Não me convenceu, só serviu para me sentir ainda mais incompreendida e desamparada.
O resultado eu já contei aqui no meu relato de parto.

Por esses dias então andei pensando: onde estava a menina que ouvia seu coração e cruzava o oceano rumo ao desconhecido?
Eu não tinha confiança suficiente para sustentar minha escolha naquele momento.
Não me "empoderei", por me sentir sozinha, incompreendida, desamparada. Por eu mesma duvidar da minha capacidade de parir.
Junto a isso, eu cedi conscientemente aos desejos alheios por pensar que talvez estivesse sendo intolerante ao querer que fosse feita somente a minha vontade.
Ao tentar (forçosamente) superar esse meu medo, ao não encontrar forças para isso, eu inconscientemente me desconectei.
Me lembro de passada as 41 semanas de gestação, minha doula perguntar se eu estava com medo de alguma coisa, e eu responder que não, que estava tudo bem.
MENTIRA: eu tava morrendo de medo de ir parir no hospital. Eu não queria aquilo! Mesmo sabendo que esse meu medo era pior, pois acabaria tendo que ter o parto induzido, eu não conseguia lidar com isso. Mas eu não conseguia verbalizar isso. Todo o processo até ali já tinha me deixado tão triste, e aflita. Era o momento mais importante da minha vida. E eu não consegui sustentar a minha escolha. Me permiti ser refém dos desejos alheios.

De novo eu me pergunto: onde se perdeu a menina super confiante?

Ainda não encontrei resposta para isso, mas questionar-se é o primeiro passo. Agora é questão de tempo.
Reconhecer que essa voz se perde em alguns momentos é como um insight. Hoje aprendo diariamente como fortalecer, como reconhecer, como buscar, como encontrá-la.
Só assim será possível ser fiel a própria alma.

Confiscado.


domingo, 15 de março de 2015

a coragem de ser quem sou

Quando começo a compreender alguma coisa dentro de mim, surge essa necessidade de deixar registrado aqui, pois imagino que possa ajudar outras pessoas a se entenderem como muitos textos me ajudaram a chegar até aqui.
Essa semana, duas coisa me marcaram. 
Uma percebi logo o motivo. Este texto aqui fala justamente da mudança interna que algumas mulheres vivem depois da maternidade. 
Selecionei um trecho que me identifiquei:
"Dá uma vontade imensa de se redescobrir e reinventar. A maioria muda o cabelo. Mas há aquelas que mergulham em águas mais profundas e descobrem uma força e uma capacidade sem limites que nem imaginavam possuir. Essas mulheres esvaziam gavetas, jogam fora caixas e viram suas vidas de ponta cabeça, buscando um sentido maior, um amor que seja tão grande, um trabalho tão cheio de significado e realização. A maternidade traz coragem."
Outra coisa foi esta foto abaixo, que eu já havia visto em outras ocasiões, achei engraçado e dessa vez ficou aparecendo na minha timeline do facebook e eu não entendi muito bem. Mas hoje a noite ela me fez sentido.

Fazendo um retrospecto, observei que nos únicos dois momentos dos meus 30 anos que deixei de ouvir meu coração, coisas bem dolorosas me aconteceram. Uma delas foi quando aceitei que o Dudu nascesse num hospital, ignorando completamente meus instintos, e o resultado já escrevi aqui no blog. 
A outra, foi quando aceitei deixar o Dudu em uma creche, novamente, indo contra os meus instintos, e o resultado também foi muito doloroso, conforme contei aqui. 

Então, chega um determinado momento, que plim plim, as fichas caem, você percebe que a vida é muito curta e frágil, como cantou Nando Reis.
"Que a vida é mesmo
Coisa muito frágil
Uma bobagem
Uma irrelevância
Diante da eternidade
Do amor de quem se ama" - Por onde andei - Nando Reis

E que já chega de ignorar seu coração.
Só que como tudo na vida, ouvir seu coração tem consequências. A primeira delas é você ser incompreendido (pelos outros), e consequentemente, julgado. Tribunal de causas realmente pequenas, como cantou Pato Fu.
"Você pensa que faz o que quer
Não faz
E que quer fazer o que faz
Não quer..."
 Tá sonoro o post né? :)

E é aqui que entra a dona coruja com a coragem junto com a dona maternidade. Coragem de mudar, de encarar as consequências, mesmo sabendo que se olhar por um outro lado, também vai haver dor, e que provavelmente há uma dor que vai durar para sempre. Assim pude entender um pouco do que a Elizabeth Gilbert contou no seu livro.
Mas o processo não foi assim: acordei com coragem, vou mudar minha vida.
Só hoje, alguns meses depois é que enxergo a coragem, ou seria o tal empoderamento? Até agora me senti e sinto guiada pelo meu coração e por uma força maior. Pois não há uma explicação lógica, muitas pessoas não compreendem. E como já falei num outro post, é mesmo difícil que as pessoas nos compreendam.
Isso me lembrou uma foto que vi também pela minha timeline do facebook, daqui.


Acho que esse deve ser um curso extremamente interessante e fiquei muito curiosa para entender a proposta e o processo. Pois considero muito difícil se colocar no lugar do outro em alguns casos. Coisas que não significam nada para mim podem ser de suprema importância para o outro e nem sempre é fácil perceber isso.

Mas voltando a coragem e maternidade. Toda a mudança que fiz na minha vida recentemente foi para seguir um instinto materno. Foi para encontrar um trabalho que me permite a liberdade de cuidar do meu filho quando ele está doente. Que me permite acompanhar de perto seu crescimento, sua educação, sem delegar isso para outras pessoas ou instituições que não a família.
Abri mão de inúmeras coisas, e também de coisas que não são coisas, e que fazem uma falta imensa. Mas não conseguiria viver em paz comigo mesma se não ouvisse dessa vez o meu coração.
Seria isso egoísmo? Ou seria amor-próprio? E me lembro da frase de Jesus: "Amai ao próximo como a ti mesmo"  e penso: como poderia amar alguém plenamente se não me amo respeitando meus próprios instintos? Se não me amo seguindo o que meu coração diz.
Com isso me lembro uma conversa que tive uma vez com minha terapeuta, muitos anos atrás. Na hora que ela me falou, o argumento fez todo sentido. Mas depois não conseguia me lembrar do argumento. Era porque não tinha encontrado a resposta por mim mesma. Eu me questionava sobre a necessidade de fazer um trabalho voluntário como forma de me aprimorar moralmente e ajudar as pessoas. Ela disse que eu poderia fazer, mas que a melhor forma de ajudar as pessoas era primeiramente me melhorando, investindo tempo em mim, no meu auto-conhecimento, pois esse movimento acende um ponto de luz na rede cósmica e traz um bem muito maior e mais amplo do que centenas de horas de trabalho voluntário. Somente através da força indomável do exemplo, é que mudanças profundas e verdadeiras vão surgir. Inconscientemente, o sentido dessa conversa ficou gravado em mim e agora tudo se encaixa.
Só posso educar o Dudu através do exemplo. E lembrando um texto que o Júnior me mostrou antes de nos encontrarmos, é esse exemplo que quero poder ensinar... filho, ouça o seu coração. Eu estarei sempre ao seu lado.

"Os homens têm medo de realizar seus maiores sonhos porque acham que não o merecem, ou não vão conseguir!
Mas o medo não é uma coisa concreta. Ele está em seus corações!!
Os corações morrem de medo só de pensar em amores que partiram para sempre... Em momentos que poderiam ter sido bons e não foram...
Quando isso acontece, acabamos sofrendo muito e o coração tem medo de sofrer.
Mas o medo é pior que o próprio sofrimento.
Nenhum coração jamais sofreu quando foi em busca de seus sonhos, porque cada momento de busca é um momento de vida, de energia, de encontro com Deus e com a eternidade.
Então... Ouça seu coração!
Ninguém consegue fugir dele.
Por isso, é melhor escutar o que ele fala para que não venha um golpe que você não espera, porque você jamais vai conseguir mantê-lo calado.
Mesmo que finja não escutar o que ele diz, ele estará dentro do seu peito, repetindo o que pensa sobre a vida e o mundo...
O dia inteiro...
O tempo todo...
Ainda bem!
Por isso, ouça o seu coração!" Paulo Coelho

Faz tempo que escrevi esse post, provavelmente no final de 2014, mas não havia publicado. Hoje li uma coisa que me fez reler o post e decidi publicá-lo. O engraçado é que esse texto me lembrou de um outro, que também faz todo sentido... " Isso tem a ver com o quanto dois caminhos se aproximam ou se distanciam."
E por enquanto, é assim que minha vida segue apreendida por essas reflexões todas, pela coragem de rumar ao desconhecido, mas com o coração tranquilo, em saber que estou sendo fiel ao meu chamado, ou a minha bem aventurança.
E a música que marca essa época: Concrete Bed - Nada Surf
"To find someone you love, you gotta be someone you love."

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

a minha experiência - texto escolhido

É com muito alegria que venho aqui partilhar a minha participação como "Leitora Super Inspirada" da rede Maternarum.
O Maternarum tem como missão incentivar o empreendedorismo materno e desde que me mudei para Curitiba tenho acompanhado e participado de alguns eventos promovidos por eles.

Por isso, este post também é um agradecimento a eles, que me proporcionaram mais alguns passos nessa caminhada. Muito obrigada!

O texto pode ser lido aqui: http://maternarum.com.br/a-minha-experiencia-leitoras-super-inspiradas/

Confiscado ;)

quinta-feira, 25 de julho de 2013

a minha escolha de mãe

Em 1º de janeiro de 2013 eu tomei uma decisão que já queria ter tomado a um certo tempo. Não foi planejada, não foi resolução de ano novo. Foi pura e simplesmente por força das circunstâncias. Triste que tenha sido preciso chegar a isso para eu criar coragem e decidir.

Vamos lá entender o processo:
Quando  o Dudu fez 4 meses eu voltei a trabalhar (sim, estudante de doutorado, ou seja, cientista, também é profissão, embora não completamente reconhecida). Já tinha combinado com a minha mãe e ela ficaria com ele até os 6 meses, quando então ele iria pra creche. Pois é, creche. Eu me arrepiava toda com essa palavra muito antes de engravidar. Mas como decidimos que a gravidez viria durante o doutorado, era a única alternativa dentro das condições que tínhamos.
Eu continuei com a amamentação exclusiva até ele iniciar na creche. Tirava leite e deixava congelado para minha mãe dar para ele nos horários que eu não estava (pela manhã e um pedaço da tarde, já que eu conseguia almoçar em casa e ainda tinha direito a um horário de trabalho reduzido por conta da amamentação).
Então, logo depois de minha mãe ter ido embora, na primeira semana de creche o Dudu já ficou doente. Infecção de garganta (que posteriormente desconfiei ser um diagnóstico errado, mais para frente explico melhor). Sete dias de antibiótico (ATB)+ anti-inflamatório. Já fiquei encanada, puxa vida, uma criança de 6 meses precisa realmente tomar ATB? Não pela necessidade em si, mas pelos motivos que levaram a necessidade. Mas pronto, depois do estresse da primeira doença dele, vieram as vacinas dos 6 meses.
Eu expliquei para a enfermeira que ele havia acabado de terminar o ATB, e perguntei se não era melhor esperar um pouco até ele se recuperar, mas ela disse que não, e eu mais uma vez, confiei no sistema. Três dias depois, febre. Hospital e diagnóstico de uma traqueíte infecciosa. Viral, não precisa tomar ATB. Questiono se isso poderia ter sido a primeira doença e uma médica acredita na minha hipótese, ou seja, é provável que ele não precisaria ter tomado ATB da primeira vez. Questiono se as vacinas podem ter afetado sua imunidade pois ele poderia não estar completamente recuperado quando as tomou. Ela desconversa...
Mais alguns dias passaram, a febre cessou e Dudu volta para a creche. Por uns 15 dias tudo corre tranquilamente, pelo menos no quesito saúde, porque meu coração ficava muito apertado de ter que deixar ele lá e perder preciosos momentos ao seu lado, acompanhando sua introdução a novos alimentos, suas caretinhas, e suas descobertas.
Então um dia ele acorda umas 6 vezes a noite, aos berros, e só sussegava se estava no peito. Dormia um pouco e logo acordava aos berros de novo. E veio a febre por quase dois dias e ligamos para o Saúde24.

Parênteses:
O Saúde24 é um serviço que tem em Portugal em que você liga para um número gratuitamente (808242424) e é atendido por enfermeiros que seguem uma espécie de protocolo, com perguntas pré-determinadas e no final te encaminham para onde for mais conveniente dependendo da gravidade do caso. Se necessário ir até um serviço de emergência, eles avisam a instituição e ao chegar você tem prioridade no atendimento. Eu utilizei muito o Saúde24 e sinto falta dele aqui no Brasil. Me poupou várias saídas desnecessárias.

Me dirigi então ao serviço de emergências do hospital e depois de exames de urina, sangue e uma aspiração no ouvido descobriram que ele tinha uma otite. Resultado da secreção acumulada na traqueíte, pois nenhum médico nos informou que teríamos que aspirar o nariz dele e não deixar acumular secreção. Obrigada médicos, mais uma vez!
A partir daí foi uma cascata de doenças. Outra otite, outra virose, e em 1º de janeiro, após mais de 6 dias de febre, uma médica de verdade descobriu uma pneumonia que já tinha tomado mais da metade do pulmão esquerdo dele.

Soco no estômago, bofetada na cara...

Em dois meses de creche a contabilidade foi essa: ida a 4 pediatras e 1 homeopata, Três tomas de antibiótico (sem contar a da pneumonia),  e devo ter ido às urgências do hospital umas 10 vezes.
Cada vez que eu ia, a explicação dos médicos para as doenças era semelhante: na creche é assim mesmo. Pelo menos não falavam que era até adquirir imunidade, como dizem a maioria das pessoas, já que não é enfiando uma criança num "infectário/infantário" que ela vai "adquirir imunidade". É através de alimentação saudável, do engatinhar no chão, do brincar na terra, do comer com a mão, etc. A criança desenvolve seu organismo (e consequentemente a imunidade) com o passar dos dias, assim como desenvolve a fala, a coordenação motora, etc. Eu pelo menos não vi até agora nenhum artigo científico recomendando deixar as crianças na creche como forma de estimular sua imunidade. Tenho visto é o contrário: "Criação moderna" prejudica desenvolvimento do cérebro das crianças.

Cada vez que eu ia com o Dudu para o hospital, enquanto esperava, com ele no colo, queimando de febre, ou chorando de dor, eu sempre pensava: vale a pena mesmo eu trabalhar para isso? O que estou ganhando? Quanto vale meu trabalho? O que é mais importante? E a resposta para essa última pergunta era sempre a mesma: o meu filho.

Assim, quando o Júnior veio me falar o resultado do raio-X, eu, que até agora tinha sido forte e tentado encarar as coisas como "faz parte", mudei de rumo e pedi para o Júnior se poderíamos não deixar mais ele na creche.
Não tem coisa no mundo que faça valer a pena ver um filho doente por conta de uma situação que você própria está causando e tem a possibilidade de fazer diferente, pois sei que para muitas mães, essa é a única solução e não tem escapatória.

Então eu conversei com minha orientadora, expliquei a situação e ela foi muito compreensiva e entendeu o meu lado. Trabalhei até o final de janeiro, o Dudu ficou em casa por uns dias com uma babá e o resto eu ficava com ele e trabalhava nos intervalos de sono e noite adentro num artigo para publicação.

Meu coração de mãe se aliviou e cada dia que passa me fortaleço nessa escolha. Mesmo que na época muita gente não concordava com a minha decisão. Mais uma vez, eu escolhi nadar contra a correnteza.
Não só pelas doenças, mas por saber que esse é o melhor para ele em todos os sentidos!
Porque na minha cabeça, não entra a coisa da sociedade de que mulher independente é aquela que deixa o filho na creche e vai trabalhar. Para mim, mulher realmente independente é aquela que pode fazer escolhas, não importa quais sejam, pois não temos o direito de julgar ninguém.
Na minha busca infinita por conhecimento, acabei me deparando com dois textos que me identifiquei muito, e acho que estou me tornando uma feminista. Uma das frases que mais gostei foi essa:
"Não me conformo com uma sociedade que aplaude quando você abdica da sua vida para entregar aquele projeto e ser promovida e torce o nariz quando você abdica de certos privilégios para criar o ser humano que colocou no mundo. "
Desse blog aqui.

E desse blog, fui remetida a este outro, que me identifiquei ainda mais:
"Até que chegaram os filhos e eu tive um novo mundo revelado para mim. E entendi que para muitas pessoas o sucesso é um conceito multifatorial, mesmo quando aplicado dentro do universo "carreira". E que no meu caso, para o tipo de ingredientes que compõe a complexa receita de pão cascudo que eu sou, sucesso jamais estaria em usar meu tempo longe da minha família para gerar dinheiro ou satisfação pessoal."
"Meu jeito de lidar com maternidade e "profissão" (já tendo desistido de achar que existe o príncipe encantado das carreiras esperando por mim) foi promover desconstruções das coisas que eu tinha como certas e resgatar possibilidades perdidas."
E assim, percebi que também não irei encontrar o "príncipe encantado das carreiras",  porque meu coração pertence a outra coisa. Coisa essa que tem muito de conhecido, mas que ainda tem muito por conhecer!

É isso que eu venho tentando segurar ultimamente. O assumir que eu não sou carreirista, meu sonho não é nadar em dinheiro. Minha contribuição para o mundo será na criação do meu filho, será no dia a dia, ao ensiná-lo o pouco que sei sobre o amor, sobre Deus, sobre ser bom e justo. Sobre valorizar suas conquistas e aprender a lidar com as perdas. Sobre ser cidadão e respeitar o próximo. Sobre fazer o bem, sem olhar a quem, sobre respeitar os animais, se alimentar de forma saudável, pois o corpo é a morada do espírito, e os dois precisam ser cuidados. Sobre desenvolver sua autonomia e contribuir positivamente para a sociedade que ele está inserido. Sobre lutar por seus direitos e suas crenças (no que ele quiser acreditar), sem deixar que outros tentem enfraquecer seu coração e seus ideais. Porque eu acho que é disso que o mundo precisa. E não de mais um ser humano que aprendeu logo cedo o que é separação, o que é se sentir abandonado, o que é ser privado de contato, carinho e amor materno.
Porque para mim, não tem dinheiro no mundo que me faria trocar essa oportunidade, de poder criar meu filho de acordo com o que acredito e também aprender com ele.

Por favor, não sejam radicais ao me interpretarem. Não quero entrar na discussão da criação e do dinheiro agora, só acho que seja preciso que cada um descubra o que é mais importante para si e estabeleça suas prioridades.

É claro que não vou fazer isso para sempre. Quer dizer, um filho é para sempre, mas conforme eles crescem e já tem mais autonomia, nossa presença não será sempre requerida. E aí sim, eu me permitirei dedicar mais tempo ao trabalho, seja ele qual for (boleira, doula, artesã, empresária, professora, cientista, ou o que eu me permitir ser).

Não poderia deixar de mencionar que essa minha escolha só foi possível graças ao apoio do meu querido esposo, o Júnior, que mesmo sem concordar com a minha decisão, me permitiu vivenciá-la. Meu agradecimento eterno! <3

Essa foi a minha escolha de mãe, e esse é o meu chefinho por enquanto :)

O engraçado de tudo foi a sincronicidade. Pois alguns meses depois de desistir do doutorado, apareceu uma proposta de trabalho para o Júnior aqui no Brasil. Viva!


segunda-feira, 5 de outubro de 2009

temas complexos: vegetarianismo - parte 1

Sempre fugi de discussões homéricas que nunca levam a uma conclusão como religião, política, gosto musical e afins.
Mas, recentemente tomei conhecimento de uma campanha lançada pela Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) que em parceria com a prefeitura de São Paulo, promove a Segunda Sem Carne.
Achei muito inteligente o slogan da campanha e gostei da arte do logo também :)

Então, contrariando minha resistência de me meter em assuntos polêmicos, coloquei essa imagem no meu orkut.

Falo da minha resistência pois a maioria das discussões que vi sobre assuntos polêmicos acabam caindo na agressão pessoal, na disputa do: "o meu é melhor!" Mas então me lembro de uma frase do Eduardo Borba, um senhor que trabalha com cavalos. Ele diz que para montar um cavalo, devemos deixar o ego de fora, pois ele pesa muito quando estamos em cima do animal. Acredito que nestas discussões polêmicas isso poderia ser aplicado também.

Qual não foi a minha surpresa em receber um comentário de um amigo de faculdade, sobre a proposta do Segunda Sem Carne. Fiquei muito feliz, pois era uma oportunidade de tentar aplicar o princípio de não levar as coisas pelo lado pessoal, tentando compreender o ponto de vista do outro e a troca de informações. Meu amigo questionava porque deveriamos abandonar um hábito que sustentamos há milênios como o de comer carne e que nos levou a evolução nos primórdios do desenvolvimento da espécie humana.

A sincronicidade foi que nesta semana eu estava me questionando o, digamos, "gatilho" que havia me feito pensar em me tornar vegetariana. Então me lembrei que ao conhecer um vegetariano, eu me sentia mal em comer carne quando perto dele, como seu eu fosse agredi-lo com a minha alimentação. Complexos psicológicos a parte, isso me levou a buscar mais informações sobre "ser vegetariano". Entre filmes, leituras, pesquisas e conversas, tomei minha decisão. Em 01/01/2007 eu adotei o ovo-lacto-vegetarianismo. Meu amigo vegetariano dizia que as razões para se tornar vegetariano eram muito pessoais, e eu nunca fiquei sabendo da dele.

Ele tinha razão. É muito pessoal. Após assistir o classico do vegetarianismo no Brasil, o filme A Carne é Fraca, do Instituto Nina Rosa, ainda não me convenci. Como sou Médica Veterinária, minha visão quanto a alguns procedimentos mostrados no vídeo era outra, e eu entendia o porque dos procedimentos, coisa que o video não mostra. Por ser enfático no sensacionalismo, eu sabia que precisaria de algo mais consistente para me convencer. Foi então que me recomendaram o filme Terráqueos (Earthlings) e após chorar de remorso e culpa, estava decidido. Eu deveria fazer o que pudesse para mudar meu papel no sociedade. Também li alguns livros como Alimentação Vegeteriana: Chega de abobrinha, de autoria do mestre DeRose. E procurei me informar sobre o aspecto nutricional da nova dieta que eu pretendia adotar. O meu maior motivo na época era o impacto ambiental que a indústria da carne provoca no meio ambiente. O gasto de água, a devastação de áreas, a poluição gerada com os dejetos suínos, e a criação de gado. Devo enfatizar que esse aspecto ambiental eram dados que eu já tinha, pois como falei, sou formada em Medicina Veterinária e visitei granjas de suínos e abatedouros. Existem alternativas no caso do dejeto dos suínos, como os biodigestores. Mas o preço de um sistema desse era considerado pela grande maioria dos produtores como sendo inviável, apesar dos benefícios que traria para o meio ambiente e para a prória propriedade, pois é gerado energia elétrica a partir do processo. Para os abatedouros, existem as lagoas de tratamento, que nem sempre são utilizadas para tal fim. E o desperdício de água potável no abate dos animais me assustavam. Mas, eu ignorava esses dados como sendo parte da engrenagem do processo e não via alternativa para tal prática.

Não posso deixar de mencionar, que neste meio tempo eu passei no concurso de mestrado e fui trabalhar com qualidade de carne. Sim, carne. Tive meus motivos para isso, e o assunto mereceria um outro post a respeito. Mas aos curiosos de plantão, eu consegui terminar o curso.

Como, graças as forças do universo, o mundo dá voltas, eu descobri que poderia sim, fazer alguma coisa para o meio ambiente.

Parar de comer carne era uma delas.

E com isso descobri como era alienada quanto a questão de alimentação e novos sabores. Descobri a variedade de vegetais e temperos, e como a conjunção de alimentos nos traz algo totalmente novo. Isso foi muito marcante para mim, que sempre busquei o diferenciado. Lia sempre sobre pessoas comentando como se sentiam melhor em não comer carne, como estavam mais leves. Eu não sentia nada disso, só me maravilhava com a possibilidade infinita de variar minha alimentação!

Aos poucos fui percebendo o quanto deixei de experimentar novos sabores enquanto comia carne. Pois não conseguia comer apenas a deliciosa macarronada sem que tivesse uma carne junto. Mecanismo adaptado ao corpo. Ao me propor uma nova visão, as oportunidades apareceram!

É claro que eu ainda tinha vontade de comer carne. Principalmente quando eu ficava brava com alguma coisa, ou quando via alguma propaganda do McDonald´s mostrando aqueles hamburguers tentadores!
Mas, porém, contudo, entretanto, eu era muito orgulhosa para cair em tentação. Imaginava que seria como um vício. Ou que não me fortaleceria comer carne, pois sempre fica aquela voz no fundinho dizendo: "Ah, mas você já comeu aquela vez, coma agora de novo". E como eu não havia parado aos poucos de comer carne, eu cortei tudo a partir da data que havia estipulado: peixe, gado, galinha, suíno, e derivados, não caberia uma recaida no meio do meu caminho de tentar salvar o planeta.
Mas minha mãe tem razão, junguianos pecam pelo excesso. Tá na hora de parar o post.