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segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

sobre julgar

Quando as situações se repetem, é um grande sinal de que ainda não aprendemos o que era preciso.

Há pessoas que dizem que é impossível não julgar, vivendo neste mundo. Sempre discordo dos impossíveis, mas reconheço que não é uma tarefa simples. Desde os primórdios temos tentado aprender sobre isso.

"e quem estiver livre do pecado, que atire a primeira pedra"
Mas o que dentro de nós faz com que nos sintamos no direito de julgar alguém?
Ego?
Orgulho?
Falta de autoconhecimento?
Tudo isso e mais um pouco junto?

Uns anos atrás escrevi um texto, eu não me torno, eu não sou. A motivação era outra, o sentido era outro. Mas ultimamente tenho pensado bastante nas primeiras frases do texto:
Eu não me torno uma boa pessoa por conta de todos os vídeos de ações bondosas que assisto.
Eu não me torno uma pessoa caridosa por conta de todas as pessoas caridosas que admiro.
E devo acrescentar: Eu não sou uma pessoa evoluída espiritualmente por conta do caminho que escolhi e das coisas que partilho no facebook.
Ao mesmo tempo, me lembro de um texto do Gustavo Tanaka que li recentemente: O hábito de se defender o tempo todo.
No texto ele aborda sobre a necessidade de se justificar, e do porque isso não é produtivo para quem escolheu um caminho de autoconhecimento.
Aí vem a pergunta: estou me justificando com esse texto?
Não. É só a minha maneira de analisar as questões a fundo, talvez até fundo demais, e de buscar compreensão. Quando tento entender sobre o fenômeno, penso que assim apreendo a essência do problema, e não uma situação isolada apenas. Pelo menos essa é a teoria e a intenção.

Então vamos, do começo:

Significado de Julgar

v.t.d. e v.i.Decidir uma questão na qualidade de juiz ou árbitro: julgar uma ação judicial; sua profissão era julgar.v.reg.mult.Sentenciar; proferir uma sentença, condenando ou absolvendo: julgou o bandido; o juiz julgou-o culpado; o juri julgou os empresários à cadeia; não se julga sem provas.Ter uma opinião sobre; expressar um parecer, um juízo de valor acerca de: julgou o cantor; julgaram do presidente por corrupção; a vida o julgará pelos seus erros; não se pode julgar.v.t.d. e v.t.d.pred.Considerar; tomar uma decisão em relação a: julgaram que era razoável continuar; julgaram horrível o seu texto.v.t.d. e v.pron.Supor; imaginar-se numa determinada situação: julgou que lhe dariam um contrato; julga-se menos esperto do que o irmão.(Etm. do latim: judicare)
Quando julgamos, nos colocamos acima da questão. Acima do erro, acima do sujeito. Como? Porque pensamos que jamais iríamos agir daquela maneira. Porque jamais cometeríamos aquele erro. Porque jamais, em hipótese alguma, o outro poderia ter agido daquela forma (dentro do meu conceito de certo e errado).
Exemplo: aborto.
Eu já julguei pessoas que fizeram aborto. Porque eu penso que não teria coragem de abortar. E isso de certa forma, me deu o direito de achar que poderia falar alguma coisa sobre quem pensa diferente. Mas ao estudar melhor essa questão eu vi pessoas passando por situações que eu nunca havia passado. E ao me colocar no lugar delas percebi que muito provavelmente, teria tomado a mesma decisão. Não dá para imaginar o desespero se não sentimos na pele situações como  fome, maus tratos, falta de perspectiva, falta de abrigo, etc. Então, a arrogância, e o prazer (sim, isso dá prazer, olhe bem), de dizer que ao outro que ele está errado (e consequentemente eu estou certa, e aqui está o prazer) tiveram que aparecer para dizer oi e juntos decidirmos o que fazer.
Psicologicamente, existe um vício, uma necessidade. Me sentir superior, pois não reconheço meu verdadeiro valor, então tenho que julgar o outro, me colocar acima dele (afinal eu estou certa), para então ter uma ilusão de que sou importante. Outra questão é a intolerância e o poder que ela te dá, afinal, a sua opinião é a certa.

Também já li um texto que mostra muito bem que opinião não é argumento.
E uma frase que vi pelo facebook que dizia mais ou menos assim: A sua experiência pessoal não serve para discutir um problema social amplo. Como por exemplo o racismo. Eu não sou negra, nunca fui censurada pelo meu tom de pele. Eu não tenho condições de falar sobre racismo, porque nunca vivi isso na pele. Posso ter ideias sobre o racismo, mas não tenho conhecimento técnico e muito menos vivencial para falar sobre esse assunto.
E é assim com praticamente tudo na vida... Não vivemos as mesmas situações, cada um tem seu repertório emocional, suas tramas psicológicas, espirituais e do ego.

Reflexão iniciada?

Sim. Comecei a escrever este texto em meados de 2016. Hoje é 8 de janeiro de 2018. Ontem assisti um documentário/filme do Netflix sobre pessoas anoréxicas "O mínimo para viver". E fiquei impressionada com a velocidade com que julguei a personagem principal do filme. Lembrei da frase:



E podemos substituir "fala" por "julgo". E isso acaba sendo uma imensa oportunidade de aprendizado quando nos percebemos julgando ou falando de alguém. Aproveitemos, apreendamos essa oportunidade!!






quarta-feira, 30 de março de 2016

o ex futuro _________

A primeira vez que usei esse termo foi quando larguei o doutorado.
O que eu era? O que eu viria a ser?
A aproximação que cheguei foi trazer o futuro para o presente.
Sou uma ex-futura doutora em Biotecnologia.
A contradição em pessoa... coisa que ouvia desde a época da faculdade, quando alguns (incluindo eu mesma) não conseguiam me compreender.


Seria bem mais fácil se fosse assim não é? 

Então ontem, lendo, relendo, incorporando, confiscando meus trechos de livros, sobre a época genial e as coisas que "só tentam acontecer", ou sobre as viagens de Marco Polo e a fluidez do passado, uma frase me chamou a atenção: 
"Os futuros não realizados são apenas ramos do passado: ramos secos."
Isso é o mesmo que um ex futuro qualquer coisa.
Ex futura doutora. Ex futuro projeto de vida. Ex futura família. Ex futuro amor. Ex futuro sonho. Ex futuro.
Algo que chegou a experimentar a realidade. Mas que "logo recuam, com medo de perder a sua integridade na deficiência da realização".
Alguns "ex futuros" são escolhas conscientes, assumidas, estudadas, analisadas. Com meu doutorado foi assim. Assumi que não queria mais aquela estrada. Optei pela curva. Cheguei na encruzilhada e segui pelo caminho menos percorrido. Foi loucura. Uma loucura para não perder a alma. Tchau futura doutora. Olá presente mãe.
Outros não. Outros "ex futuros" nos exigem uma adaptação mais árdua. Resiliência. Mais visceral, mais espiritual. Porque não dependem apenas de nós, de nossos desejos, exclusivamente. Esses são as "manchas brancas, estigmas perfumados, aqueles rastros prateados dos pés descalços dos anjos". Um sonho que não se realizou. Um amor que não vingou. Um projeto de vida que se perdeu na deficiência da realização.
Nos contentamos em guardar a parte boa. Ficamos com a placidez de que tentamos. Aceitamos as circunstâncias. Por que nestes casos insistir é que pode ser a loucura.
Mesmo quando o poeta diz o contrário:
"Mas não crie arrependimentos por aquilo que não foi feito.
Sejamos mais reais em nossas dores.
Tudo o que não aconteceu é perfeito.
Dê chance para a imperfeição. Insista.
Estou cansado de me defender - sou só ataque.
Insisto." Fabrício Carpinejar
Por isso, considero que abrir mão desses "ex futuros" é muito mais difícil. Desapegar, aceitar, com paz no coração é tarefa de uma vida.
Comecei meu aprendizado com a aceitação no yôga. Minha querida Joana dizia: "tens que aceitar teu limite, acolher, para então conseguir transcender. "
Aceitar é uma atitude tão passiva. Eu com meu fogo sagitariano querendo realizar. E tendo que aceitar. Era o início.
Com o tempo fui compreendendo. Além de aceitar, é preciso acolher a dificuldade. É preciso confiar que está se fazendo o seu melhor, dentro das tuas limitações. É o "não olhar o passado com os olhos do presente".
Entrego, confio, aceito, agradeço.
O mantra do Prof. Hermógenes.
O ásana da mente.
Quando aceitamos a dificuldade, percebemos o apego. O apego ao resultado que estávamos a espera. O apego ao "eu não queria que fosse assim", ao invés de: "eu aceito que seja assim" porque não consigo neste momento ver outra coisa a se fazer. Porque nem sempre poderemos fazer coisas.

Lembrei! Outro ex futuro, que foi presente por muito tempo: montar cavalos. Entendê-los. Me comunicar com eles. Tentei. Tentei exaustivamente. Anos... até que aceitei. Não consigo. É minha limitação. Abri mão: não posso ser boa em tudo que quero. E como eu queria ser boa com os cavalos...

Ah, o processo! A complexidade. A sincronicidade.

O apego ao "como eu queria que fosse" (ou às expectativas) é a fonte da dificuldade em aceitar as coisas como são: ex futuros. E isso não é exclusividade minha, ou nossa.
Poetas já traduziram isso:




O remédio para essas dores?
Desapego, aceitação, compreensão. Amor.
Pelo menos é o que estou tomando.

E um pouco de budismo também.









quarta-feira, 6 de maio de 2015

Onde se perdeu?

O Dudu fez 3 anos dias atrás. E misteriosamente, algumas coisas se resolvem dentro de mim neste período...
Dessa vez surgiu uma pergunta, referente a certos fatos que demorei a admitir, aceitar, compreender.
Durante boa parte da minha vida eu me senti desconectada de mim mesma. Nunca conseguia discernir muito bem o que dizia minha voz interior. Sempre haviam infinitas perguntas e pouco espaço silencioso para as respostas surgirem. Com isso minha mente se alimentava de perguntas e mais perguntas.
Mas em alguns momentos eu comecei a perceber que simplesmente sentia o que era preciso fazer e ia lá e fazia. Quando decidi não imendar um doutorado foi assim, e o mesmo quando decidi ir para Portugal fazer woofing e conhecer o Júnior. Parecia loucura, havia alguns riscos, mas incrivelmente eu não sentia medo nenhum ou dúvida alguma sobre o que deveria fazer. E tudo corria muito bem.
Exceto no aspecto profissional, mas isso é outro assunto.
Quando engravidei e minha colega de trabalho me emprestou o livro do Ric Jones - Memórias do Homem de Vidro, eu voltei a sentir uma dessas certezas. Ao terminar o livro eu tinha total e absoluta certeza no meu coração que eu queria que o Dudu nascesse em casa. Não queria ter que ir para o hospital. Eu sabia que assim as coisas não iriam correr bem. Me conhecia o suficiente para saber minhas necessidades.
Mas as pessoas ao meu redor não. Então comecei uma "batalha". Primeiro para convencer meu esposo de que eu precisava de uma doula nesse momento. Ele concordou, entrevistamos várias mulheres e encontramos a nossa. Agora eu precisava mostrar a ele porque eu queria ter nosso filho em casa. Eu virei a "maluca" do parto. Mandava-lhe vídeos, textos, conversei com um enfermeiro obstetra, assistimos documentários, inúmeros vídeos de parto. Contei-lhe do meu medo e ir para o hospital. Mas ele disse que não se sentia seguro para que nosso filho nascesse em casa. Preferia que eu fosse para o hospital.
Meu medo só aumentava, junto com a minha barriga. Me lembro de uma vez em que chorei desesperadamente ao falar com meus pais pelo skype explicando-lhes também que eu não queria ir ao hospital para ter o Dudu. Eles concordavam com o Júnior e me senti desamparada e incompreendida. Até quando comentei com a nossa doula que gostaria muito de um parto domiciliar, ao qual ela disse que havia conversado com o Ricardo Jones e que ele havia recomendado um parto hospitalar devido a um problema de tireóide que tenho. O problema em si não exclui a possibilidade de parto domiciliar, o porém seria se eu tivesse alguma complicação e a repercussão que isso poderia ter.
Não me convenceu, só serviu para me sentir ainda mais incompreendida e desamparada.
O resultado eu já contei aqui no meu relato de parto.

Por esses dias então andei pensando: onde estava a menina que ouvia seu coração e cruzava o oceano rumo ao desconhecido?
Eu não tinha confiança suficiente para sustentar minha escolha naquele momento.
Não me "empoderei", por me sentir sozinha, incompreendida, desamparada. Por eu mesma duvidar da minha capacidade de parir.
Junto a isso, eu cedi conscientemente aos desejos alheios por pensar que talvez estivesse sendo intolerante ao querer que fosse feita somente a minha vontade.
Ao tentar (forçosamente) superar esse meu medo, ao não encontrar forças para isso, eu inconscientemente me desconectei.
Me lembro de passada as 41 semanas de gestação, minha doula perguntar se eu estava com medo de alguma coisa, e eu responder que não, que estava tudo bem.
MENTIRA: eu tava morrendo de medo de ir parir no hospital. Eu não queria aquilo! Mesmo sabendo que esse meu medo era pior, pois acabaria tendo que ter o parto induzido, eu não conseguia lidar com isso. Mas eu não conseguia verbalizar isso. Todo o processo até ali já tinha me deixado tão triste, e aflita. Era o momento mais importante da minha vida. E eu não consegui sustentar a minha escolha. Me permiti ser refém dos desejos alheios.

De novo eu me pergunto: onde se perdeu a menina super confiante?

Ainda não encontrei resposta para isso, mas questionar-se é o primeiro passo. Agora é questão de tempo.
Reconhecer que essa voz se perde em alguns momentos é como um insight. Hoje aprendo diariamente como fortalecer, como reconhecer, como buscar, como encontrá-la.
Só assim será possível ser fiel a própria alma.

Confiscado.


domingo, 15 de março de 2015

a coragem de ser quem sou

Quando começo a compreender alguma coisa dentro de mim, surge essa necessidade de deixar registrado aqui, pois imagino que possa ajudar outras pessoas a se entenderem como muitos textos me ajudaram a chegar até aqui.
Essa semana, duas coisa me marcaram. 
Uma percebi logo o motivo. Este texto aqui fala justamente da mudança interna que algumas mulheres vivem depois da maternidade. 
Selecionei um trecho que me identifiquei:
"Dá uma vontade imensa de se redescobrir e reinventar. A maioria muda o cabelo. Mas há aquelas que mergulham em águas mais profundas e descobrem uma força e uma capacidade sem limites que nem imaginavam possuir. Essas mulheres esvaziam gavetas, jogam fora caixas e viram suas vidas de ponta cabeça, buscando um sentido maior, um amor que seja tão grande, um trabalho tão cheio de significado e realização. A maternidade traz coragem."
Outra coisa foi esta foto abaixo, que eu já havia visto em outras ocasiões, achei engraçado e dessa vez ficou aparecendo na minha timeline do facebook e eu não entendi muito bem. Mas hoje a noite ela me fez sentido.

Fazendo um retrospecto, observei que nos únicos dois momentos dos meus 30 anos que deixei de ouvir meu coração, coisas bem dolorosas me aconteceram. Uma delas foi quando aceitei que o Dudu nascesse num hospital, ignorando completamente meus instintos, e o resultado já escrevi aqui no blog. 
A outra, foi quando aceitei deixar o Dudu em uma creche, novamente, indo contra os meus instintos, e o resultado também foi muito doloroso, conforme contei aqui

Então, chega um determinado momento, que plim plim, as fichas caem, você percebe que a vida é muito curta e frágil, como cantou Nando Reis.
"Que a vida é mesmo
Coisa muito frágil
Uma bobagem
Uma irrelevância
Diante da eternidade
Do amor de quem se ama" - Por onde andei - Nando Reis

E que já chega de ignorar seu coração.
Só que como tudo na vida, ouvir seu coração tem consequências. A primeira delas é você ser incompreendido (pelos outros), e consequentemente, julgado. Tribunal de causas realmente pequenas, como cantou Pato Fu.
"Você pensa que faz o que quer
Não faz
E que quer fazer o que faz
Não quer..."
 Tá sonoro o post né? :)

E é aqui que entra a dona coruja com a coragem junto com a dona maternidade. Coragem de mudar, de encarar as consequências, mesmo sabendo que se olhar por um outro lado, também vai haver dor, e que provavelmente há uma dor que vai durar para sempre. Assim pude entender um pouco do que a Elizabeth Gilbert contou no seu livro.
Mas o processo não foi assim: acordei com coragem, vou mudar minha vida.
Só hoje, alguns meses depois é que enxergo a coragem, ou seria o tal empoderamento? Até agora me senti e sinto guiada pelo meu coração e por uma força maior. Pois não há uma explicação lógica, muitas pessoas não compreendem. E como já falei num outro post, é mesmo difícil que as pessoas nos compreendam.
Isso me lembrou uma foto que vi também pela minha timeline do facebook, daqui.


Acho que esse deve ser um curso extremamente interessante e fiquei muito curiosa para entender a proposta e o processo. Pois considero muito difícil se colocar no lugar do outro em alguns casos. Coisas que não significam nada para mim podem ser de suprema importância para o outro e nem sempre é fácil perceber isso.

Mas voltando a coragem e maternidade. Toda a mudança que fiz na minha vida recentemente foi para seguir um instinto materno. Foi para encontrar um trabalho que me permite a liberdade de cuidar do meu filho quando ele está doente. Que me permite acompanhar de perto seu crescimento, sua educação, sem delegar isso para outras pessoas ou instituições que não a família.
Abri mão de inúmeras coisas, e também de coisas que não são coisas, e que fazem uma falta imensa. Mas não conseguiria viver em paz comigo mesma se não ouvisse dessa vez o meu coração.
Seria isso egoísmo? Ou seria amor-próprio? E me lembro da frase de Jesus: "Amai ao próximo como a ti mesmo"  e penso: como poderia amar alguém plenamente se não me amo respeitando meus próprios instintos? Se não me amo seguindo o que meu coração diz.
Com isso me lembro uma conversa que tive uma vez com minha terapeuta, muitos anos atrás. Na hora que ela me falou, o argumento fez todo sentido. Mas depois não conseguia me lembrar do argumento. Era porque não tinha encontrado a resposta por mim mesma. Eu me questionava sobre a necessidade de fazer um trabalho voluntário como forma de me aprimorar moralmente e ajudar as pessoas. Ela disse que eu poderia fazer, mas que a melhor forma de ajudar as pessoas era primeiramente me melhorando, investindo tempo em mim, no meu auto-conhecimento, pois esse movimento acende um ponto de luz na rede cósmica e traz um bem muito maior e mais amplo do que centenas de horas de trabalho voluntário. Somente através da força indomável do exemplo, é que mudanças profundas e verdadeiras vão surgir. Inconscientemente, o sentido dessa conversa ficou gravado em mim e agora tudo se encaixa.
Só posso educar o Dudu através do exemplo. E lembrando um texto que o Júnior me mostrou antes de nos encontrarmos, é esse exemplo que quero poder ensinar... filho, ouça o seu coração. Eu estarei sempre ao seu lado.

"Os homens têm medo de realizar seus maiores sonhos porque acham que não o merecem, ou não vão conseguir!
Mas o medo não é uma coisa concreta. Ele está em seus corações!!
Os corações morrem de medo só de pensar em amores que partiram para sempre... Em momentos que poderiam ter sido bons e não foram...
Quando isso acontece, acabamos sofrendo muito e o coração tem medo de sofrer.
Mas o medo é pior que o próprio sofrimento.
Nenhum coração jamais sofreu quando foi em busca de seus sonhos, porque cada momento de busca é um momento de vida, de energia, de encontro com Deus e com a eternidade.
Então... Ouça seu coração!
Ninguém consegue fugir dele.
Por isso, é melhor escutar o que ele fala para que não venha um golpe que você não espera, porque você jamais vai conseguir mantê-lo calado.
Mesmo que finja não escutar o que ele diz, ele estará dentro do seu peito, repetindo o que pensa sobre a vida e o mundo...
O dia inteiro...
O tempo todo...
Ainda bem!
Por isso, ouça o seu coração!" Paulo Coelho

Faz tempo que escrevi esse post, provavelmente no final de 2014, mas não havia publicado. Hoje li uma coisa que me fez reler o post e decidi publicá-lo. O engraçado é que esse texto me lembrou de um outro, que também faz todo sentido... " Isso tem a ver com o quanto dois caminhos se aproximam ou se distanciam."
E por enquanto, é assim que minha vida segue apreendida por essas reflexões todas, pela coragem de rumar ao desconhecido, mas com o coração tranquilo, em saber que estou sendo fiel ao meu chamado, ou a minha bem aventurança.
E a música que marca essa época: Concrete Bed - Nada Surf
"To find someone you love, you gotta be someone you love."

quarta-feira, 9 de julho de 2014

eu não me torno, eu não sou.

Eu não me torno uma boa mãe por conta de todos os textos que leio sobre maternidade.
Eu não me torno uma boa pessoa por conta de todos os vídeos de ações bondosas que assisto.
Eu não me torno uma pessoa caridosa por conta de todas as pessoas caridosas que admiro.
Eu não me torno uma empreendedora por conta de tudo que já li sobre empreendedorismo.
Eu não me torno uma yogini por conta das práticas que tive no passado ou pelo que já li sobre yôga.
Eu não sou uma cientista por ter um título de mestrado e meio doutorado.
Eu não sou médica veterinária por ter cursado essa faculdade.
Eu não sou escritora por escrever um blog.
Entre outros...

Apesar de querer ser tudo isso.

É muito mais que isso.

É se despojar do ego, ir lá e fazer. O tal do "dar a cara a tapa", sabe? É o velho ditado: quem quer faz, quem não quer, inventa uma desculpa.
Simples assim.

Mas a gente complica. Inventa razões, olha para o próprio umbigo. Dimensiona nossas limitações e as disfarça com uma lamentação: Eu queria tanto! Mas...

Consumimos informações que nos satisfazem. Como bem pontuado neste vídeo aqui. Mas que não nos levam a nenhum lugar palpável. Já falei também sobre esse sentimento neste texto.
Só nos tornaremos melhores quando começarmos a produzirmos, errarmos, aprendermos, e sairmos do nosso mundo imaginário de admirar pessoas e assistir vídeos.

Claro que isso é um começo! Uma direção, uma inspiração, bem melhor do que se manter ignorante sobre o que se quer ser. Mas é preciso uma dose extra de esforço e coragem, para reconhecer que apenas isso não serve de muita coisa.

Coragem, pois é difícil olhar para si mesmo e não reconhecer a pessoa que se queria ser (ou se pensa ser). E ainda assim arrumar energia para sair da inércia interior e correr atrás do tempo perdido.

Pelo menos para mim...
Apreendido, por enquanto.




sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

eu consumidora

Não consumista, mas consumidora. Não de coisas materiais, mas de informação.
Não sei como começou, mas desde criança, até bula de remédio e rótulo de champu eu gostava de ler. E ficar repetindo os nomes todos: lauril sulfato de sódio, excipiente q.s.p., ácido acetil salicílico.
Quando cursei a disciplina de farmacologia na faculdade foi como um reencontro com a menininha que lia rótulos (e lê até hoje)
E por isso hoje me percebi uma consumidora de informação.
Esses dias até me veio uma imagem na cabeça, aqueles desenhos de pessoas que chegam a babar de tanto assitir TV.
Sou eu com um livro, uma revista, um blog interessante, uma notícia. O novo post que saiu no facebook daquele blog que eu tanto gosto. Não penso, simplesmente vou lá e consumo o post.
Digo consumo pois foi a forma que encontrei de entender este movimento.
Pois vejam só, uma outra coisa que reparei foi que ao ler a grande maioria de coisas que eu gostaria de ler, o tempo livre que eu teria para produzir algo, foi todo gasto consumindo informação, muitas vezes de forma inconsequente eu diria. Pois inúmeras vezes um post leva a outro, que leva a outro e depois de 2 horas eu paro e penso: Nossa, o que eu tinha mesmo que fazer? E vou ver a minha lista e ainda está tudo lá, por fazer.
Será que isso é vício?
Talvez tenha demorado para me aperceber disso pois mentalmente me justifico: não estou desocupada, estou lendo, estou me informando.
Mas chegou num ponto que percebi que não existe um número suficiente de informação para matar a minha sede de conhecimento. Ponto. Tenho que reconhecer e aceitar isso.
Para depois poder abrir mão de algumas leituras e finalmente conseguir fazer algo com toda a informação que consumo.
Novamente, a imagem da menina fascinada com o parque de diversões e sem saber que brinquedo escolher me vem na cabeça. É tanta coisa legal acontecendo, tanta informação bacana para ler, discutir, partilhar, que no final eu fico só na leitura e raríssimas vezes na prática.
Óbvio que isso não é novidade para mim. Já tinha percebido esse movimento em outras ocasiões.
Desenvolver a parte prática daquilo que acreditamos é um gigantesco desafio, pelo menos para mim. É algo que venho tentando ultrapassar há muito tempo, conforme já registrei aqui.
Uma das coisa que me ajudou nestes últimos dias a liquidar algumas tarefas pendentes foi não começar a fazer várias coisas ao mesmo tempo, principalmente coisas que sei que vão tirar minha atenção, como o facebook por exemplo.
As leituras do blog Vida Organizada também foram fundamentais. Novamente, de nada adianta ler milhares de coisas se não colocá-las em prática.
Mas pelo visto isso é um assunto que "assombra" outras pessoas, conforme relatado aqui, mas abordando um outro ponto de vista, o da ilusão das relações sociais virtuais.
Agora então, mãos a obra! Mais uma vez...

segunda-feira, 24 de junho de 2013

fui tragada.

Fui sugada. Me engoliu e não devolveu mais. Mudou minha perspectiva, meu rumo, meu sumo.
E preciso assumir isso.
Passei uma parte da manhã lendo alguns posts deste blog: potencial gestante.
Descobri através do grupo sobre Gestação, Parto e Maternidade que participo no facebook. Recomendavam ler o relato de parto domiciliar que diziam ser emocionante.
E lá fui eu.
Depois, enquanto preparava o almoço, caiu a ficha.
Fui mesmo tragada pela maternidade.
Acho que nunca li tanto, e por tanto tempo, sobre um mesmo assunto.
Não sei quanto tempo isso irá durar, nunca sei. Mas a realidade hoje é essa.
Meu esposo disse que mudei. É verdade, mudei de ideia, troquei prioridades, mergulhei fundo sobre esses assuntos durante a gravidez, e achei que depois ia passar. Mas não passou. 1 ano depois e eu ainda leio inúmeras coisas sobre essa tal maternidade.
E por que preciso assumir isso?
Primeiro porque acho que faz parte do processo, reconhecer e assumir algumas coisas.
Depois porque quero deixar isso documentado.
E por que?
Lá vem uma história...
Quando morava em Lisboa fui a um TEDxEd. O evento mostrava novas perspectivas de educação. A história de um pai me chamou a atenção, o palestrante Paulo Mateus. Gestor financeiro, consultor bancário de carreira internacional. Que viu sua vida profissional levando-o cada vez mais distante dos filhos. Basicamente ele então teve uma ideia, largou tudo, criou uma empresa que produziu uma plataforma (weduc) para auxiliar os pais (e também a escola) a acompanharem os filhos no colégio.
Lindo.
Mas logo me veio a pergunta. De onde surgiu essa ideia??? Eu perguntei para ele, mas a resposta foi apenas uma repetição do que ele havia dito na TED talk. Talvez não tinha sido clara na minha dúvida. Expectativa.
Eu esperava que ele descrevesse seu insight, do tipo, eu acordei e tive essa ideia. Ou, pensei nisso, nisso, nisso e nisso e juntei tudo e surgiu a ideia.
Queria eu, uma receita de como mudar o rumo da carreira com sucesso.

Mas hoje eu percebo que mudança é processo.
Para mim, nada é muito claro, então tenho que marcar alguns pontos, para me encontrar depois.
É isso que quero segurar por hoje: fui tragada. Para um mundo encantador, transformador, mágico, lindo, feliz, e acrescento também, nas palavras do meu esposo: "um mundo com fadas, sereias e uma floresta encantada" :)
A maternidade!
Foto por Adriana Morais
Make up da barriga por Kaira Cavaliere