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quarta-feira, 27 de maio de 2015

coisas para se pensar antes de decidir ter um filho

Eu não li nada do tipo quando decidi com meu marido que iríamos ter um filho.
Acho que isso era uma das poucas certezas que tinha dentro de mim, então não pensei duas vezes. Faria exatamente igual.
Mas pensar sobre certas coisas, hoje sendo mãe e passando pelo que passei, talvez me ajudassem a lidar melhor com algumas situações.
Talvez eu seja meio radical em algumas posições. Eu juro que queria ser mais flexível em algumas coisas, mas vida é processo de aprendizagem né, então pode comentar a vontade a sua opinião e vamos aprender juntos! Por isso, esse não é um post romântico.
Espero que possa te ajudar de alguma maneira também :)

1) Não dá pra fazer ideia do tamanho da transformação que um filho faz na nossa vida. É simplesmente inimaginável. Pelo menos para mim foi. Então se você não é lá muito fã de mudanças... ou se prepara ou deixa essa ideia pra lá.
2) Seu corpo muda. (óbvio hahahah), mas você pode amar, e se achar linda e maravilhosa, ou detestar. Eu adorava estar grávida, me achava linda. Mas conheço pessoas que detestam essa parte. Então, auto-conhecimento e auto-estima na veia. Porque o sexo pode mudar também. Você pode não querer nem saber, ou virar a grávida ninfomaníaca! E a relação com teu companheiro neste aspecto também. Uns podem adorar, outros não. Para isso, sempre vale uma longa conversa onde cada um exponha seu ponto de vista e encontrem uma maneira de viverem em paz neste sentido, seja lá o que for paz para vocês :)
3) Suas prioridades podem mudar. No meu caso mudaram completamente, basta ler alguns textos daqui para você ter uma noção. Mas conheço pessoas que não mudaram em nada. Algumas coisas não tem como escapar, a não ser que você terceirize a criação do seu filho. Mas se for assim, para que ter filho então?
4) Você vai precisar desenvolver novas características ou aprimorar se já tiver.
Paciência: em diversas ocasiões e em diversos formatos. Seu filho não tem culpa que vc teve um dia cansativo no trabalho. Seu filho não tem culpa se você não está feliz com seu trabalho. Seu filho não tem culpa se seu esposo brigou com você. Seu filho não tem culpa se você não compreende o choro dele. Seu filho não tem culpa de nada entendeu?
Pra isso você vai precisar se superar e superar tudo de ruim dentro de você para dar a ele toda a atenção e amor que ele (e todos os seres) merecem. Frases do tipo: "Você está me tirando do sério/ Eu estou perdendo a paciência" não querem dizer nada, pois você é o adulto e se o seu limite de tolerância é baixo, trate de aumená-lo. Seu filho (nem ninguém na verdade) devem pagar pelas tuas frustrações, cansaço, ou qualquer coisa do tipo.
Pense no seu filho como um adulto. Se fosse seu melhor amigo, você falaria com ele aos berros? Bateria para ensinar? Colocaria de castigo? Se você respondeu não, então não faz sentido fazer isso com seu filho também, faz? E não vale dizer que ele é criança e não entende. Se você não percebe a capacidade de entendimento do seu filho ou não consegue se comunicar de uma maneira que ele entenda, então vai estudar. De novo, a culpa não é dele, você é o adulto e está ali para ensinar respeito, tolerância, amor e compaixão. Deixa o celular de lado um pouquinho e vai ler. Para o seu bem, do seu filho e de toda a humanidade.
Mas não vai ler aquelas tretas da adestradora de bebês, por favor! Sugestões de leitura no final do post ;)
5) Se não quer ficar sobrecarregada com os serviços da casa + cuidar do filho, comece a conversar com seu companheiro sobre a divisão das tarefas domésticas e de como vão organizar isso quando o bebê nascer. Acredite, uma louça suja sobre a pia pode ser motivo de discussão, e convém evitar isso quando estão todos tentando se adaptar com o bebê e uma nova rotina e tudo mais.
6) Trabalho. Converse com o seu companheiro sobre isso. Você vai precisar trabalhar? Você quer continuar trabalhando depois que seu bebê nascer? Onde você vai deixar seu filho? Quais as suas opções? Pode ser que você não queria mais trabalhar com o que trabalha no momento, pode ser que você queira ter mais tempo para acompanhar o seu filho, os primeiros passos, as primeiras palavras. E aí, como faz? Vai pensando... Mas lembre-se, existem inúmeras opções, você só precisa decidir o que quer fazer. Dica: procure por empreendedorismo materno :)
7) Rede de apoio. Você tem família por perto pra te ajudar na hora do aperto? Amigos? Alguém com quem contar? Seja para conversar, seja para lavar a louça, seja pra te tirar daquela loucura de troca de fraldas e peito e te mostrar que ainda existe vida depois disso tudo :P Pode parecer bobeira, mas tem horas que só de sair de casa já te faz dar uma espairecida. Vale também conversar com outras mães, mesmo que elas fiquem contando que o bebê delas dorme a noite inteira, já vale pra distrair um pouco.
8) Convicções. É melhor você ter bem definido com seu companheiro como vocês vão fazer as coisas. Desde o parto - onde e como(a escolha é sua, mas saber se ele vai te apoiar ou não e o que vc vai fazer com isso poupa frustrações), amamentação (idem ao parto, o corpo é seu, vc decide), criação, onde o bebê vai dormir, o que vai comer, médico, etc. Saber o que cada um pensa sobre o assunto ajuda bastante, seja para exercitar a compreensão, seja para um apoiar o outro quando os pitaqueiros entrarem em ação.
9) Sua própria infância. Como seus pais te tratavam? Como você se sentia? Você quer fazer da mesma maneira? Quer que seu filho sinta o que vc sentiu? Quer fazer diferente? Não sabe como? Decida e siga. Estude, converse, leia, informe-se! Até onde eu sei essa é a única maneira... Tem um texto bacana aqui para você começar a se aventurar nessa parte :)
10) Tempo: Filhos tomam tempo, não tem como (a não ser que vc terceirize, mas de novo, pra que ter filho então?). E como vc vai lidar com isso? Como vai ser para você abrir mão das horas livres, do salão de beleza, do cinema com o companheiro, do café com as amigas, do passeio no shopping, do happy hour com a turma do trabalho? Uma coisa ou outra vc talvez até consiga manter, mas está preparada para abrir mão de algumas? Seu esposo vai ficar com seu bebê para você ir no salão? Acha que sim? Dá uma confirmada antes, não custa! Sua mãe vai topar ficar com o bebê na sexta a noite para vc curtir um jantar romântico? Pergunta lá... É bom ir conversando sobre essas coisas, por mais que pareça algo distante da tua realidade no momento, com filhos, planejamento é a palavra de ordem. Te poupa muito stress!
11) Birras e educação. Seu filho vai fazer uma birra em local público pelo menos uma vez na vida. E aí, já pensou em como vai lidar com isso? E não vai achando que isso é coisa de criança mimada, porque não é. Birras são a maneira da criança manifestar sua incapacidade de lidar com a situação naquele momento, e isso é ciência, é formação cerebral em desenvolvimento. Você achar que é manha e que ela precisa de limites não vai resolver... mas isso você só vai saber se tentar entender e se conectar com seu filho. Então, você está disposta a investir tempo nisso? Ou vai ser mais fácil ameçar bater, chantagear? Vai pensando...
12) Sua sanidade mental. Bom, pensar sobre isso pode parecer engraçado, mas na hora que seu filho estiver berrando desesperadamente, seu companheiro te olhando com aquela cara: faz ele parar de chorar, seu vizinho interfonando porque são 3 da manhã e ele precisa dormir e você totalmente perdida sem saber o que fazer... se você não tiver o tal do "sangue-frio" para analisar a situação tranquilamente e ver que seu bebê não quer ficar no berço sozinho e sim no aconchego do seu colo e você dar isso a ele, a coisa complica... Existe muita pressão com crianças chorando, principalmente quando elas não dizem o que sentem. É uma sensação de impotência pois você fica sem saber o que fazer. Para isso você precisa estar tranquila com a situação, e em paz com suas convicções. E claro, confiante de que está fazendo o que considera melhor para o seu filho. Óbvio que falando assim parece super fácil, mas a prática tem os seus percalços e você precisa estar preparada para eles também. São normais, acontecem, não se culpe! Dúvidas brotam na nossa cabeça de lugares que sequer imaginávamos existir... e aceite, é normal! Tenha em mente coisas que te fazem bem e pense em como fazer para poder usufruir delas quando a coisa apertar. Uma vez li que para uma mulher era essencial acordar e poder tomar um banho bem relaxada. Ela combinou com o companheiro que isso era um momento dela e era necessário, então eles se organizaram para ela poder fazer isso. Entende o que quer o dizer?
13) Já mencionei a divisão das tarefas de casa e cuidados com o bebê né?
14) Onde o bebê vai dormir? No berço, na cama com vocês, no carrinho? Eu comprei berço quando o Dudu nasceu, hoje se tivesse outro filho não gastaria dinheiro com isso. A cama compartilhada me facilitou muito a amamentação, me deixou dormir muito mais do que se tivesse que ficar levantando para pegar filho no berço, amamentando, fazendo dormir e colocando no berço para dali a 15 minutos ele chorar e eu ter que levantar de novo. E isso tem uma explicação: bebês não foram feitos para dormirem sozinhos. Informe-se :)
15) Fraldas. Descartáveis não são a única opção! As fraldas de pano modernas são ótimas e fazem um bem danado para a natureza :) E tem gente que até nem usa fralda, acredite (procure por Elimination Comunication, ou leia um pouco mais aqui)
16) Como você vai carregar o bebê. Existem outras opções além de carrinho e canguru! Já conhece o sling? É fisiológico, os bebês amam e ficam muito mais tranquilos!
17) Seu filho pode nascer com algum problema. Calma, não é sentença de morte! Bom, de certa forma vai ser, um processo de morte das expectativas. O fato é que essa possibilidade existe e seria legal se vc conseguisse pensar sobre ela. Não pensar para desistir, mas pensar para aceitar caso aconteça. Maternidade também é aceitação. Aceitar que não temos controle de tudo, que não somos super-heroínas, que independente de como criamos, eles são livres e podem seguir um caminho que não concordamos, aceitar que irão nos surpreender, aceitar que vamos chorar na apresentação da escola, aceitar de que vai passar muito rápido e que o que vai valer a pena foram os momentos que vocês passaram juntos.

Que eu me lembre, por enquanto, é isso. Sempre que surgirem outras coisas eu vou atualizando aqui!
E aí, o que achou? :)

Sugestão de leitura:
Maternidade e o encontro com a própria sombra - Laura Gutman
O Poder do Discurso Materno - Laura Gutman
Mulheres visíveis, mães invisíveis - Laura Gutman (este é um apanhado com vários textos da autora. Vale a pena para quem quer ter uma noção geral do que ela diz)
Besame mucho - Como criar seus filhos com amor - Carlos González (é difícil encontrar para vender, eu só consegui o pdf pela internet)
O livro da maternagem - Dra. Relva
Educar sem violência: criando filhos sem palmada. Ligia Moreiras Sena e Andréia Mortensen
Soluções para noites sem choro - Elizabeth Pantley
Memórias do homem de vidro - Ricardo Jones
Entre as orelhas. Histórias de Parto - Ricardo Jones

Nessa loja virtual tem vários outros títulos interessantes e que valem muito a pena!

Existem depois um sem fim de blogs, artigos, páginas... Cabe a você decidir quão fundo você quer ir nesse novo mundo da maternidade ou da felicidade :)



Você pode ter estranhado eu não ter falado do lado "bom" disso tudo, mas minha intenção neste texto não foi essa. Até porque eu não considero todas essas coisas "ruins". Sou grata por cada momento e situação que passei pois foram oportunidades únicas de aprendizado que eu jamais teria se não fosse mãe <3  E também porque não sou muito boa em dizer sobre o indizível e o infinito...
Confiscado ;)





segunda-feira, 11 de maio de 2015

sobre criar filhos

Hoje é dia das mães.
Mas este não será um texto homenagem às mães. Não que elas não mereçam, mas é que venho percebendo a algum tempo uma dificuldade geral em criar filhos, principalmente no quesito compreensão mútua e paciência. A começar pela minha.
E ontem numa conversa entre amigas mencionei um livro que me ajudou e fiquei de passar mais detalhes para elas depois. Mas achei que talvez fosse melhor escrever algo um pouco mais aprofundado.

Ainda grávida, minha doula me emprestou um livro muito interessante e que foi o princípio da minha mudança na maneira de ver os bebês e crianças.
O livro se chama Besame mucho - Como criar seus filhos com amor, do pediatra espanhol Carlos Gonzalez. Eu até hoje não achei ele para comprar, então só consegui terminar de lê-lo por um pdf que achei na internet (quem quiser me escreve que eu envio). Mas se você procurar pelo nome do autor vai encontrar vários textos dele bastante interessantes.
Para mim foi um mundo novo que se abriu. Coisas como: não pega seu bebê muito no colo senão vai acostumar mal, não pode dormir junto com os pais porque senão vai ser assim pra sempre, tem que desmamar logo porque senão vai ficando pior... tem que deixar chorar um pouco pra não ficar cheio de vontade, entre outros mitos do mesmo estilo foram caindo por terra.
Neste post do blog Potencial Gestante tem um link para download do livro em espanhol se alguém quiser se aventurar.
Um pouco depois conheci a Cientista que Virou Mãe e seu post incrível sobre deixar bebês chorando, clique aqui.  Sobre o uso da chupeta. Entre outros autores sobre ignorar as birras. Sobre o "terrible two".
Depois disso surgiu a Criação com Apego, amamentação em livre demanda, cama compartilhada, sling, e um mundo sem fim de informações e transformações que foram ocorrendo.

Mas esse foi o caminho que eu trilhei, porque eu ia tendo dúvidas, dificuldades, e fazia o que sempre soube fazer. Ia pesquisar e ver as possibilidades de se resolver o problema. Graças a Deus nem todo mundo é assim, e por um tempo eu sofri até aceitar isso. Eu lia um mundaréu de coisas e queria que as outras mães também lessem, pelo potencial transformador dessas informações.
Porém, a transformação é uma porta que só se abre por dentro. E me conscientizei de que não havia chance de eu colocar nada na cabeça de ninguém, e que da mesma maneira eu encontrei essas informações, caso alguém sentisse necessidade de mudar também daria um jeito de encontrá-las ou de encontrar algo que fizesse sentido para cada um.

Conforme o Dudu foi crescendo, outras dificuldades foram surgindo. Suas vontades foram aparecendo, sua curiosidade, e de repente me vi em apuros e gritando com ele. Fiquei transtornada... não era isso que eu queria!! Eu tinha lido e estudado tanto, como que não conseguia colocar em prática?
Primeiro veio a compreensão do que se movimentava dentro de mim.
Depois, eu sendo absolutamente e totalmente contra qualquer tipo de violência contra crianças (incluindo gritos e rótulos), comecei a reconhecer o meu lado que precisava de ajuda. Então muitos textos me ajudaram na época. Esse aqui sobre palmadas da Cientista que virou mãe é um. Este outro da Luzinete. O Livro da Maternagem também é bastante elucidativo. E por fim o livro da Lígia:  Educar sem violência - criando filhos sem palmadas.

Compreender o que meu filho tenta expressar quando faz uma birra é uma experiência fantástica desde que eu aprendi a olhar além da relação de poder (eu mando, você obedece), desde que aprendi a perceber sua necessidade, desde que aprendi a ouvi-lo e a ajudá-lo a se expressar de outra maneira.

Não foi fácil, não é fácil. Ainda tenho imensa dificuldade em inúmeros aspectos. Mas depois disso meu maternar tem sido muito mais tranquilo, prazeroso e com menos remorço.
Para mim o crucial foi entender o que acontecia com ele, de acordo com sua fase de desenvolvimento, e muito mais o que acontecia comigo.
Para isso, recomendo Laura Gutman e seu livro: Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra.

Por isso brinco que a maternidade foi um catalizador das mudanças em mim. Sempre me lembro da explicação clássica do que é um catalizador numa reação química: uma substância que acelera potencialmente uma reação mas que ao final é liberado da mesma maneira que entrou. Ou seja, ele não é transformado, mas sem ele a reação poderia inclusive nunca acontecer.
Assim eu vejo a maternidade: um melhorador de alma, um catalizador do amor, desde que nos entreguemos a ela e permitamos nos ouvir, compreender, amar. Porque não tem força mais poderosa nesse mundo que a do exemplo: se eu não quero que meu filho grite, eu não vou gritar com ele. Se eu não quero que ele bata, eu não vou bater nele. Se eu quero que ele seja compreensivo, tenho que primeiro compreende-lo. E por aí vai... ao infinito e além :)

Outros links úteis:
Criação com apego
http://www.cientistaqueviroumae.com.br/2012/08/criacao-com-apego-verdades-mentiras.html
http://www.cientistaqueviroumae.com.br/2012/02/attachment-parenting-criacao-com-apego.html
http://paizinhovirgula.com/
http://www.cientistaqueviroumae.com.br/2015/07/quando-o-amor-aos-filhos-ressignifica.html

Soluções e dicas
http://paizinhovirgula.com/disciplina-positiva-primeiros-passos/
http://paizinhovirgula.com/cantinho-do-pensamento-por-que-e-uma-porcaria/
http://paizinhovirgula.com/criacao-com-apego-birra-manha-e-afins/
http://paizinhovirgula.com/12-alternativas-para-o-castigo-disciplina-positiva/
http://cirandamaterna.blogspot.com.br/2012/09/supermercado-com-criancas.html?q=compras

Ciência
http://www.cientistaqueviroumae.com.br/2013/08/filhos-saudaveis-nao-brotam-no-jardim.html

Compreendendo seu filho
http://cirandamaterna.blogspot.com.br/2013/12/nao-me-deixe-para-tras.html
http://portal.aprendiz.uol.com.br/arquivo/2013/08/08/o-dia-em-que-parei-de-mandar-minha-filha-andar-logo/

Blogs e comunidades interessantes
Não pule da janela
Vila Mamífera
Maternar Consciente
Conexão pais e filhos (fanpage)
Maternidade Consciente (grupo)
Bater em Criança é Covardia (fanpage)

Congresso online
http://maternagemconsciente.com.br/
Para pensar:



E para você, o que faz sentido?


quinta-feira, 29 de agosto de 2013

sobre criar filhos e a ignorância

Esses dias saiu uma matéria no facebook do estadão apontando que a ignorância é a principal causa da mortalidade infantil. Mais detalhes aqui.
Fiquei pensando bastante no assunto e queria extrapolar a simples "ignorância escolar" digamos assim, pois segundo a pesquisa é o analfabetismo que tem um impacto significativo nos índices de mortalidade. Mas e a ignorância velada? Aquela que consentimos. Essa também me deixa preocupada.

Alguns podem achar que é besteira, que eu deveria me ocupar do meu filho só e pronto. É verdade, até certo ponto... porque o meu filho vai conviver com os filhos das outras pessoas, e dessa forma, o "ambiente" tem uma certa influência no meu filho. Por isso acredito que vale a pena escrever sobre isso que tenho em mente.
Para outros posso parecer insistente ou intrometida, o que também pode ser verdade, mas pode ser também que alguém só esteja precisando de umas poucas informações para começar a pensar diferente, então vou ser provocativa e dizer que se você acha que está fazendo tudo bem na criação do seu filho, pode parar a leitura por aqui.

Isso não quer dizer que vou te apontar o que está errado, porque sinceramente, ninguém teria esse poder a não ser você mesmo de julgar e perceber o que está errado para você. Só quero dizer que, bem, deixa eu parar de enrolar e falar logo.

Em várias ocasiões já disse que a ignorância é uma benção! No caso de partos, quando me tornei vegetariana, ou quando decidi parar de trabalhar para cuidar do meu filho, entre outros. Tudo isso porque quando decidi parar de ignorar as informações que chegavam até mim, eu tive muito mais trabalho! E hoje o que menos queremos ter é trabalho a mais.
O que acontece por exemplo, quando uma mãe resolve não ignorar os benefícios da amamentação e toda aquela história que tentam colocar na nossa cabeça de que não temos leite suficiente (entre outras)? Acontece assim:
"Mas 38 dias, 2 mastites e 230 tentativas depois (obrigada calculadora do mac!) consegui finalmente fazer a Alice mamar no peito."
O engraçado foi que essa mãe, falou da ignorância também:
"Queria eu ser ignorante. Dessa forma, eu não saberia dos benefícios da amamentação, e desistiria logo, e minha vida teria sido bem mais fácil. Amamentar faz bem a todos os bebês, mas o que me impulsionava ainda mais a não desistir é saber como a estimulação dos músculos do rosto e a criação de defesas que o leite proporciona são benéficas para a Alice, sob a ótica da SD."
A Alice tem Síndrome de Down (SD) e conheci sua história no blog que sua mãe tem: Nossa vida com Alice.

Eu tive um problema na amamentação, quando o Dudu tinha 1 ano e 1 mês mais ou menos. Seus dentinhos superiores cresceram e me incomodavam bastante na hora da amamentação, ficava a marquinha até. E digo, o mais fácil para mim teria sido desmamá-lo. Mas vendo a necessidade que ele ainda tem do peito, do aconchego, e sabendo que vai ter vezes que ele ficará doente (como agora) e a única coisa que ele quer saber é peito... como eu poderia desmamá-lo? Busquei ajuda, me informei, tentei várias coisas. Mas não resolveu por completo o problema, então eu percebi que teria que me adaptar caso quisesse continuar a amamentá-lo.
Não sei se já repararam, mas toda caixinha de leite tem um aviso do Ministério da Saúde sobre manter o aleitamento materno até 2 anos de idade ou mais. E porque o governo teoricamente trabalha no sentido da amamentação prolongada e os médicos no sentido contrário, ao introduzir alimentos antes dos 6 meses e ao prescrever complementos? E porque a Sociedade Brasileira de Pediatria é patrocinada pela Nestlé? Não acredita? Olha aqui: http://www.sbp.com.br/ no canto direito superior.
Pode ser "teoria da conspiração", mas porque uma sociedade médica precisa de patrocínio de uma grande empresa produtora de alimentos ditos "infantis" (leia-se leite artificial e papinhas e suplementos entre outras desnecessidades para bebês)? Os médicos não deveriam prescrever o que for melhor para os bebês?
Então, vamos ignorar essas informações e acreditar que o seu leite não é suficiente? Afinal foi o pediatra que disse! Já ouvi inúmeras explicações do porque se está oferecendo complemento ao bebê, mas nunca ouvi até agora ninguém dizendo que o pediatra encaminhou a uma conselheira de amamentação ou a um programa de apoio ao aleitamento materno. Você acha mesmo que um leite industrializado é melhor que o seu?
As pessoas lutam por um emprego com unhas e dentes, fazem das tripas coração para desenvolver um projeto para o trabalho, demonstram garra, coragem, questionam, buscam. Mas na hora que o assunto é o seu filho, confia-se cegamente no médico e rapidamente abandona-se o desejo inicial de amamentar a cria.
É realmente absurdo ter que "lutar" para amamentar. A pressão vem de todos os lados. Por isso, veja bem o que você vai decidir ignorar.

Continuando no tema de o que decidimos ignorar, encontrei esse outro texto em que a autora diz:
"É muito cômodo escolher o caminho fácil quando não temos informação, ou quando elas nos chegam de forma parcial. E naquela época, eu queria me cercar de facilidades."
É um texto bem interessante, sobre quem errou, assumiu o erro e resolveu mudar. Quem quiser ler, está aqui.

E para não me alongar mais, o que quero dizer agora é ainda mais delicado e polêmico: violência infantil.
Quando ouço histórias de crianças que apanharam dos pais na infância, preciso amarrar um monstro dentro de mim para não me deixar dominar pela revolta.


E não, ele não é tão simpático como esse aí do desenho, como podem observar pelo teor dos meus questionamentos.
Antes de começar a ler sobre o assunto eu, na minha ignorância, achava que um tapinha na bunda de vez em quando não fazia mal. Mas depois de conhecer sobre disciplina positiva, depois de me informar sobre as consequências da violência infantil, criação com apego... eu digo: um tapinha faz mal sim.
É bem capaz que se alguém vier me contar de como apanhou na infância eu comece a chorar e tenha sérias dificuldades em olhar para seus pais com os mesmos olhos. O tema me revolta!
Lembro claramente de uma cena quando era criança. Estávamos brincando e uma menina se machucou. Sangrava bastante seu joelho, então falei, vamos mostrar para sua mãe. E ela mais do que depressa, com um olhar assustado diz: não! Ela vai brigar comigo!
Oi?!
Lembro que aquilo me causou uma grande confusão. Por que ela iria brigar com a menina por ter se machucado?? Não me fazia sentido e até hoje não faz... e quantas histórias assim eu já não ouvi!
Por que brigar com uma criança que se machucou, quando o mínimo seria cuidar dela, que, lembrando, é seu filho?!

Um dos argumentos que mais me chamou a atenção quando comecei a ler sobre o assunto foi: se um amigo ou seu companheiro(a) se comporta mal, comete algum erro, faz aquela besteira, você daria "um tapinha" nele para ensinar que isso está errado? É muito provável que não! E por que então é aceito que se faça isso com crianças? Porque elas não conseguem se defender? Porque é preciso "educá-las"?
Que tipo de educação terá uma criança que aprende que ao fazer uma coisa errada o que acontece é uma surra? Será que ela vai reproduzir esse comportamento na escolinha? Afinal "lá em casa é assim"...
Pare um pouco, se coloque no lugar da criança.
No livro Besame Mucho - Como criar seus filhos com amor, o pediatra espanhol Carlos González faz uma reflexão muito interessante sobre o assunto. Recomendo.
Você acha mesmo que provocar o medo (de apanhar, de gritos, de bronca) é a melhor maneira de ensinar o certo e o errado?
Como você faria se fosse um adulto?
"Ah, mas as crianças não entendem."
Tem certeza? E quantos adultos também não entendem e repetem o erro? E você bateu neles por causa disso?
Meu esposo disse uma coisa que tem um certo sentido. As pessoas batem no ímpeto, mas aí aquilo funciona: Dei-lhe um tapinha e nunca mais fez aquilo! Então cria-se um método. Que vai depender de quanto a criança te tira do sério. E de tapinha passa para chinelada, para cintada, e quando se vê, tem crianças sendo literalmente espancadas (sob o manto de proteção da "educação"), por aqueles que deveriam protege-las, seus pais!
Mas tem gente que fala muito melhor sobre o assunto do que eu, por isso vou citá-los.
"Então, se você acha que tudo bem dar palmadas para ensinar (palmadas que assustam, humilham, envergonham e ferem, dia a dia, a autoestima de uma criança); se você acha que tudo bem deixar chorar até dormir (e produzir aflição e sensação de abandono e desamparo em um bebê que acabou de chegar ao mundo e que, tão cedo, está aprendendo que não adianta chamar porque sua mãe e seu pai não o atenderão); se você acha que tudo bem trocar o peito por mamadeira ainda que você tenha total condição de amamentar (deixando de permitir que seu filho se alimente de você e tenha momentos da mais pura intimidade, cumplicidade e conexão); se você acha que tudo bem marcar sua cesariana antes que seu bebê esteja pronto para nascer, se você acha tudo bem tudo isso, saiba: você está no seu direito. Mas isso não faz desaparecer tudo o que sabemos hoje. Isso não anula o futuro. Isso não protegerá seu filho de algo importante: más consequências. Frutos de más escolhas não dele, mas de seus pais." 
E aqui sobre estudos científicos a respeito do assunto. 
"Essa semana foram publicados, no periódico PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America) os resultados de um estudo que mostra que o bom cuidado materno na infância leva ao aumento de uma estrutura cerebral chamada hipocampo. Estudei bastante as funções do hipocampo em meu mestrado e no meu primeiro doutorado, quando estudei a neurobiologia da ansiedade e da depressão. De acordo com esse estudo, há uma clara relação entre os fatores psicossociais da infância e alterações no tamanho do hipocampo e da amígdala, estruturas cerebrais relacionadas à memória de curto e longo prazo e ao comportamento emocional, respectivamente. Isso mostra que existe, realmente, uma ligação entre as experiências afetivas que a criança vive na infância e a forma como seu cérebro se desenvolve. Os pesquisadores estudaram, por meio de técnicas de neuroimagem que permitem visualizar o cérebro sem procedimentos invasivos, as características cerebrais tanto de crianças em idade pré-escolar deprimidas quanto de crianças emocionalmente saudáveis. E concluíram que o cuidado materno recebido na primeira fase da infância teria, sim, ligação com o tamanho do hipocampo, o que levaria, inclusive, a diferentes padrões de respostas ao estresse. Crianças emocionalmente saudáveis apresentaram hipocampos maiores, quando comparados às crianças deprimidas, e isso pôde ser relacionado ao grau de cuidado materno recebido quando eram menores. Embora quase a totalidade dos cuidadores do estudo tenham sido mães, os autores acreditam que isso possa ser extrapolado para qualquer cuidador que seja o principal responsável pelos cuidados afetivos com a criança (mãe, pai, avós ou outros)."

Teria uma lista de argumentos mostrando as vantagens de criar o seu filho com amor e sem violência. Mas aprendi que muitas vezes de nada adianta vir o próprio Cristo na Terra para nos falar do amor, se não estivermos dispostos a ouvir, como bem cantou Roberto Carlos: Todos estão surdos.


É preciso que a farpa da dúvida nasça no nosso coração para então irmos atrás, desafiarmos nossas ignorâncias, nossos preconceitos, assumirmos o erro das nossas escolhas e possamos então mudar nosso rumo.
Que tanto eu quanto você que me lê possamos apreender isso, sem nunca deixar escapar o amor, a paciência e a compaixão.
 

quinta-feira, 25 de julho de 2013

a minha escolha de mãe

Em 1º de janeiro de 2013 eu tomei uma decisão que já queria ter tomado a um certo tempo. Não foi planejada, não foi resolução de ano novo. Foi pura e simplesmente por força das circunstâncias. Triste que tenha sido preciso chegar a isso para eu criar coragem e decidir.

Vamos lá entender o processo:
Quando  o Dudu fez 4 meses eu voltei a trabalhar (sim, estudante de doutorado, ou seja, cientista, também é profissão, embora não completamente reconhecida). Já tinha combinado com a minha mãe e ela ficaria com ele até os 6 meses, quando então ele iria pra creche. Pois é, creche. Eu me arrepiava toda com essa palavra muito antes de engravidar. Mas como decidimos que a gravidez viria durante o doutorado, era a única alternativa dentro das condições que tínhamos.
Eu continuei com a amamentação exclusiva até ele iniciar na creche. Tirava leite e deixava congelado para minha mãe dar para ele nos horários que eu não estava (pela manhã e um pedaço da tarde, já que eu conseguia almoçar em casa e ainda tinha direito a um horário de trabalho reduzido por conta da amamentação).
Então, logo depois de minha mãe ter ido embora, na primeira semana de creche o Dudu já ficou doente. Infecção de garganta (que posteriormente desconfiei ser um diagnóstico errado, mais para frente explico melhor). Sete dias de antibiótico (ATB)+ anti-inflamatório. Já fiquei encanada, puxa vida, uma criança de 6 meses precisa realmente tomar ATB? Não pela necessidade em si, mas pelos motivos que levaram a necessidade. Mas pronto, depois do estresse da primeira doença dele, vieram as vacinas dos 6 meses.
Eu expliquei para a enfermeira que ele havia acabado de terminar o ATB, e perguntei se não era melhor esperar um pouco até ele se recuperar, mas ela disse que não, e eu mais uma vez, confiei no sistema. Três dias depois, febre. Hospital e diagnóstico de uma traqueíte infecciosa. Viral, não precisa tomar ATB. Questiono se isso poderia ter sido a primeira doença e uma médica acredita na minha hipótese, ou seja, é provável que ele não precisaria ter tomado ATB da primeira vez. Questiono se as vacinas podem ter afetado sua imunidade pois ele poderia não estar completamente recuperado quando as tomou. Ela desconversa...
Mais alguns dias passaram, a febre cessou e Dudu volta para a creche. Por uns 15 dias tudo corre tranquilamente, pelo menos no quesito saúde, porque meu coração ficava muito apertado de ter que deixar ele lá e perder preciosos momentos ao seu lado, acompanhando sua introdução a novos alimentos, suas caretinhas, e suas descobertas.
Então um dia ele acorda umas 6 vezes a noite, aos berros, e só sussegava se estava no peito. Dormia um pouco e logo acordava aos berros de novo. E veio a febre por quase dois dias e ligamos para o Saúde24.

Parênteses:
O Saúde24 é um serviço que tem em Portugal em que você liga para um número gratuitamente (808242424) e é atendido por enfermeiros que seguem uma espécie de protocolo, com perguntas pré-determinadas e no final te encaminham para onde for mais conveniente dependendo da gravidade do caso. Se necessário ir até um serviço de emergência, eles avisam a instituição e ao chegar você tem prioridade no atendimento. Eu utilizei muito o Saúde24 e sinto falta dele aqui no Brasil. Me poupou várias saídas desnecessárias.

Me dirigi então ao serviço de emergências do hospital e depois de exames de urina, sangue e uma aspiração no ouvido descobriram que ele tinha uma otite. Resultado da secreção acumulada na traqueíte, pois nenhum médico nos informou que teríamos que aspirar o nariz dele e não deixar acumular secreção. Obrigada médicos, mais uma vez!
A partir daí foi uma cascata de doenças. Outra otite, outra virose, e em 1º de janeiro, após mais de 6 dias de febre, uma médica de verdade descobriu uma pneumonia que já tinha tomado mais da metade do pulmão esquerdo dele.

Soco no estômago, bofetada na cara...

Em dois meses de creche a contabilidade foi essa: ida a 4 pediatras e 1 homeopata, Três tomas de antibiótico (sem contar a da pneumonia),  e devo ter ido às urgências do hospital umas 10 vezes.
Cada vez que eu ia, a explicação dos médicos para as doenças era semelhante: na creche é assim mesmo. Pelo menos não falavam que era até adquirir imunidade, como dizem a maioria das pessoas, já que não é enfiando uma criança num "infectário/infantário" que ela vai "adquirir imunidade". É através de alimentação saudável, do engatinhar no chão, do brincar na terra, do comer com a mão, etc. A criança desenvolve seu organismo (e consequentemente a imunidade) com o passar dos dias, assim como desenvolve a fala, a coordenação motora, etc. Eu pelo menos não vi até agora nenhum artigo científico recomendando deixar as crianças na creche como forma de estimular sua imunidade. Tenho visto é o contrário: "Criação moderna" prejudica desenvolvimento do cérebro das crianças.

Cada vez que eu ia com o Dudu para o hospital, enquanto esperava, com ele no colo, queimando de febre, ou chorando de dor, eu sempre pensava: vale a pena mesmo eu trabalhar para isso? O que estou ganhando? Quanto vale meu trabalho? O que é mais importante? E a resposta para essa última pergunta era sempre a mesma: o meu filho.

Assim, quando o Júnior veio me falar o resultado do raio-X, eu, que até agora tinha sido forte e tentado encarar as coisas como "faz parte", mudei de rumo e pedi para o Júnior se poderíamos não deixar mais ele na creche.
Não tem coisa no mundo que faça valer a pena ver um filho doente por conta de uma situação que você própria está causando e tem a possibilidade de fazer diferente, pois sei que para muitas mães, essa é a única solução e não tem escapatória.

Então eu conversei com minha orientadora, expliquei a situação e ela foi muito compreensiva e entendeu o meu lado. Trabalhei até o final de janeiro, o Dudu ficou em casa por uns dias com uma babá e o resto eu ficava com ele e trabalhava nos intervalos de sono e noite adentro num artigo para publicação.

Meu coração de mãe se aliviou e cada dia que passa me fortaleço nessa escolha. Mesmo que na época muita gente não concordava com a minha decisão. Mais uma vez, eu escolhi nadar contra a correnteza.
Não só pelas doenças, mas por saber que esse é o melhor para ele em todos os sentidos!
Porque na minha cabeça, não entra a coisa da sociedade de que mulher independente é aquela que deixa o filho na creche e vai trabalhar. Para mim, mulher realmente independente é aquela que pode fazer escolhas, não importa quais sejam, pois não temos o direito de julgar ninguém.
Na minha busca infinita por conhecimento, acabei me deparando com dois textos que me identifiquei muito, e acho que estou me tornando uma feminista. Uma das frases que mais gostei foi essa:
"Não me conformo com uma sociedade que aplaude quando você abdica da sua vida para entregar aquele projeto e ser promovida e torce o nariz quando você abdica de certos privilégios para criar o ser humano que colocou no mundo. "
Desse blog aqui.

E desse blog, fui remetida a este outro, que me identifiquei ainda mais:
"Até que chegaram os filhos e eu tive um novo mundo revelado para mim. E entendi que para muitas pessoas o sucesso é um conceito multifatorial, mesmo quando aplicado dentro do universo "carreira". E que no meu caso, para o tipo de ingredientes que compõe a complexa receita de pão cascudo que eu sou, sucesso jamais estaria em usar meu tempo longe da minha família para gerar dinheiro ou satisfação pessoal."
"Meu jeito de lidar com maternidade e "profissão" (já tendo desistido de achar que existe o príncipe encantado das carreiras esperando por mim) foi promover desconstruções das coisas que eu tinha como certas e resgatar possibilidades perdidas."
E assim, percebi que também não irei encontrar o "príncipe encantado das carreiras",  porque meu coração pertence a outra coisa. Coisa essa que tem muito de conhecido, mas que ainda tem muito por conhecer!

É isso que eu venho tentando segurar ultimamente. O assumir que eu não sou carreirista, meu sonho não é nadar em dinheiro. Minha contribuição para o mundo será na criação do meu filho, será no dia a dia, ao ensiná-lo o pouco que sei sobre o amor, sobre Deus, sobre ser bom e justo. Sobre valorizar suas conquistas e aprender a lidar com as perdas. Sobre ser cidadão e respeitar o próximo. Sobre fazer o bem, sem olhar a quem, sobre respeitar os animais, se alimentar de forma saudável, pois o corpo é a morada do espírito, e os dois precisam ser cuidados. Sobre desenvolver sua autonomia e contribuir positivamente para a sociedade que ele está inserido. Sobre lutar por seus direitos e suas crenças (no que ele quiser acreditar), sem deixar que outros tentem enfraquecer seu coração e seus ideais. Porque eu acho que é disso que o mundo precisa. E não de mais um ser humano que aprendeu logo cedo o que é separação, o que é se sentir abandonado, o que é ser privado de contato, carinho e amor materno.
Porque para mim, não tem dinheiro no mundo que me faria trocar essa oportunidade, de poder criar meu filho de acordo com o que acredito e também aprender com ele.

Por favor, não sejam radicais ao me interpretarem. Não quero entrar na discussão da criação e do dinheiro agora, só acho que seja preciso que cada um descubra o que é mais importante para si e estabeleça suas prioridades.

É claro que não vou fazer isso para sempre. Quer dizer, um filho é para sempre, mas conforme eles crescem e já tem mais autonomia, nossa presença não será sempre requerida. E aí sim, eu me permitirei dedicar mais tempo ao trabalho, seja ele qual for (boleira, doula, artesã, empresária, professora, cientista, ou o que eu me permitir ser).

Não poderia deixar de mencionar que essa minha escolha só foi possível graças ao apoio do meu querido esposo, o Júnior, que mesmo sem concordar com a minha decisão, me permitiu vivenciá-la. Meu agradecimento eterno! <3

Essa foi a minha escolha de mãe, e esse é o meu chefinho por enquanto :)

O engraçado de tudo foi a sincronicidade. Pois alguns meses depois de desistir do doutorado, apareceu uma proposta de trabalho para o Júnior aqui no Brasil. Viva!