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quarta-feira, 27 de maio de 2015

coisas para se pensar antes de decidir ter um filho

Eu não li nada do tipo quando decidi com meu marido que iríamos ter um filho.
Acho que isso era uma das poucas certezas que tinha dentro de mim, então não pensei duas vezes. Faria exatamente igual.
Mas pensar sobre certas coisas, hoje sendo mãe e passando pelo que passei, talvez me ajudassem a lidar melhor com algumas situações.
Talvez eu seja meio radical em algumas posições. Eu juro que queria ser mais flexível em algumas coisas, mas vida é processo de aprendizagem né, então pode comentar a vontade a sua opinião e vamos aprender juntos! Por isso, esse não é um post romântico.
Espero que possa te ajudar de alguma maneira também :)

1) Não dá pra fazer ideia do tamanho da transformação que um filho faz na nossa vida. É simplesmente inimaginável. Pelo menos para mim foi. Então se você não é lá muito fã de mudanças... ou se prepara ou deixa essa ideia pra lá.
2) Seu corpo muda. (óbvio hahahah), mas você pode amar, e se achar linda e maravilhosa, ou detestar. Eu adorava estar grávida, me achava linda. Mas conheço pessoas que detestam essa parte. Então, auto-conhecimento e auto-estima na veia. Porque o sexo pode mudar também. Você pode não querer nem saber, ou virar a grávida ninfomaníaca! E a relação com teu companheiro neste aspecto também. Uns podem adorar, outros não. Para isso, sempre vale uma longa conversa onde cada um exponha seu ponto de vista e encontrem uma maneira de viverem em paz neste sentido, seja lá o que for paz para vocês :)
3) Suas prioridades podem mudar. No meu caso mudaram completamente, basta ler alguns textos daqui para você ter uma noção. Mas conheço pessoas que não mudaram em nada. Algumas coisas não tem como escapar, a não ser que você terceirize a criação do seu filho. Mas se for assim, para que ter filho então?
4) Você vai precisar desenvolver novas características ou aprimorar se já tiver.
Paciência: em diversas ocasiões e em diversos formatos. Seu filho não tem culpa que vc teve um dia cansativo no trabalho. Seu filho não tem culpa se você não está feliz com seu trabalho. Seu filho não tem culpa se seu esposo brigou com você. Seu filho não tem culpa se você não compreende o choro dele. Seu filho não tem culpa de nada entendeu?
Pra isso você vai precisar se superar e superar tudo de ruim dentro de você para dar a ele toda a atenção e amor que ele (e todos os seres) merecem. Frases do tipo: "Você está me tirando do sério/ Eu estou perdendo a paciência" não querem dizer nada, pois você é o adulto e se o seu limite de tolerância é baixo, trate de aumená-lo. Seu filho (nem ninguém na verdade) devem pagar pelas tuas frustrações, cansaço, ou qualquer coisa do tipo.
Pense no seu filho como um adulto. Se fosse seu melhor amigo, você falaria com ele aos berros? Bateria para ensinar? Colocaria de castigo? Se você respondeu não, então não faz sentido fazer isso com seu filho também, faz? E não vale dizer que ele é criança e não entende. Se você não percebe a capacidade de entendimento do seu filho ou não consegue se comunicar de uma maneira que ele entenda, então vai estudar. De novo, a culpa não é dele, você é o adulto e está ali para ensinar respeito, tolerância, amor e compaixão. Deixa o celular de lado um pouquinho e vai ler. Para o seu bem, do seu filho e de toda a humanidade.
Mas não vai ler aquelas tretas da adestradora de bebês, por favor! Sugestões de leitura no final do post ;)
5) Se não quer ficar sobrecarregada com os serviços da casa + cuidar do filho, comece a conversar com seu companheiro sobre a divisão das tarefas domésticas e de como vão organizar isso quando o bebê nascer. Acredite, uma louça suja sobre a pia pode ser motivo de discussão, e convém evitar isso quando estão todos tentando se adaptar com o bebê e uma nova rotina e tudo mais.
6) Trabalho. Converse com o seu companheiro sobre isso. Você vai precisar trabalhar? Você quer continuar trabalhando depois que seu bebê nascer? Onde você vai deixar seu filho? Quais as suas opções? Pode ser que você não queria mais trabalhar com o que trabalha no momento, pode ser que você queira ter mais tempo para acompanhar o seu filho, os primeiros passos, as primeiras palavras. E aí, como faz? Vai pensando... Mas lembre-se, existem inúmeras opções, você só precisa decidir o que quer fazer. Dica: procure por empreendedorismo materno :)
7) Rede de apoio. Você tem família por perto pra te ajudar na hora do aperto? Amigos? Alguém com quem contar? Seja para conversar, seja para lavar a louça, seja pra te tirar daquela loucura de troca de fraldas e peito e te mostrar que ainda existe vida depois disso tudo :P Pode parecer bobeira, mas tem horas que só de sair de casa já te faz dar uma espairecida. Vale também conversar com outras mães, mesmo que elas fiquem contando que o bebê delas dorme a noite inteira, já vale pra distrair um pouco.
8) Convicções. É melhor você ter bem definido com seu companheiro como vocês vão fazer as coisas. Desde o parto - onde e como(a escolha é sua, mas saber se ele vai te apoiar ou não e o que vc vai fazer com isso poupa frustrações), amamentação (idem ao parto, o corpo é seu, vc decide), criação, onde o bebê vai dormir, o que vai comer, médico, etc. Saber o que cada um pensa sobre o assunto ajuda bastante, seja para exercitar a compreensão, seja para um apoiar o outro quando os pitaqueiros entrarem em ação.
9) Sua própria infância. Como seus pais te tratavam? Como você se sentia? Você quer fazer da mesma maneira? Quer que seu filho sinta o que vc sentiu? Quer fazer diferente? Não sabe como? Decida e siga. Estude, converse, leia, informe-se! Até onde eu sei essa é a única maneira... Tem um texto bacana aqui para você começar a se aventurar nessa parte :)
10) Tempo: Filhos tomam tempo, não tem como (a não ser que vc terceirize, mas de novo, pra que ter filho então?). E como vc vai lidar com isso? Como vai ser para você abrir mão das horas livres, do salão de beleza, do cinema com o companheiro, do café com as amigas, do passeio no shopping, do happy hour com a turma do trabalho? Uma coisa ou outra vc talvez até consiga manter, mas está preparada para abrir mão de algumas? Seu esposo vai ficar com seu bebê para você ir no salão? Acha que sim? Dá uma confirmada antes, não custa! Sua mãe vai topar ficar com o bebê na sexta a noite para vc curtir um jantar romântico? Pergunta lá... É bom ir conversando sobre essas coisas, por mais que pareça algo distante da tua realidade no momento, com filhos, planejamento é a palavra de ordem. Te poupa muito stress!
11) Birras e educação. Seu filho vai fazer uma birra em local público pelo menos uma vez na vida. E aí, já pensou em como vai lidar com isso? E não vai achando que isso é coisa de criança mimada, porque não é. Birras são a maneira da criança manifestar sua incapacidade de lidar com a situação naquele momento, e isso é ciência, é formação cerebral em desenvolvimento. Você achar que é manha e que ela precisa de limites não vai resolver... mas isso você só vai saber se tentar entender e se conectar com seu filho. Então, você está disposta a investir tempo nisso? Ou vai ser mais fácil ameçar bater, chantagear? Vai pensando...
12) Sua sanidade mental. Bom, pensar sobre isso pode parecer engraçado, mas na hora que seu filho estiver berrando desesperadamente, seu companheiro te olhando com aquela cara: faz ele parar de chorar, seu vizinho interfonando porque são 3 da manhã e ele precisa dormir e você totalmente perdida sem saber o que fazer... se você não tiver o tal do "sangue-frio" para analisar a situação tranquilamente e ver que seu bebê não quer ficar no berço sozinho e sim no aconchego do seu colo e você dar isso a ele, a coisa complica... Existe muita pressão com crianças chorando, principalmente quando elas não dizem o que sentem. É uma sensação de impotência pois você fica sem saber o que fazer. Para isso você precisa estar tranquila com a situação, e em paz com suas convicções. E claro, confiante de que está fazendo o que considera melhor para o seu filho. Óbvio que falando assim parece super fácil, mas a prática tem os seus percalços e você precisa estar preparada para eles também. São normais, acontecem, não se culpe! Dúvidas brotam na nossa cabeça de lugares que sequer imaginávamos existir... e aceite, é normal! Tenha em mente coisas que te fazem bem e pense em como fazer para poder usufruir delas quando a coisa apertar. Uma vez li que para uma mulher era essencial acordar e poder tomar um banho bem relaxada. Ela combinou com o companheiro que isso era um momento dela e era necessário, então eles se organizaram para ela poder fazer isso. Entende o que quer o dizer?
13) Já mencionei a divisão das tarefas de casa e cuidados com o bebê né?
14) Onde o bebê vai dormir? No berço, na cama com vocês, no carrinho? Eu comprei berço quando o Dudu nasceu, hoje se tivesse outro filho não gastaria dinheiro com isso. A cama compartilhada me facilitou muito a amamentação, me deixou dormir muito mais do que se tivesse que ficar levantando para pegar filho no berço, amamentando, fazendo dormir e colocando no berço para dali a 15 minutos ele chorar e eu ter que levantar de novo. E isso tem uma explicação: bebês não foram feitos para dormirem sozinhos. Informe-se :)
15) Fraldas. Descartáveis não são a única opção! As fraldas de pano modernas são ótimas e fazem um bem danado para a natureza :) E tem gente que até nem usa fralda, acredite (procure por Elimination Comunication, ou leia um pouco mais aqui)
16) Como você vai carregar o bebê. Existem outras opções além de carrinho e canguru! Já conhece o sling? É fisiológico, os bebês amam e ficam muito mais tranquilos!
17) Seu filho pode nascer com algum problema. Calma, não é sentença de morte! Bom, de certa forma vai ser, um processo de morte das expectativas. O fato é que essa possibilidade existe e seria legal se vc conseguisse pensar sobre ela. Não pensar para desistir, mas pensar para aceitar caso aconteça. Maternidade também é aceitação. Aceitar que não temos controle de tudo, que não somos super-heroínas, que independente de como criamos, eles são livres e podem seguir um caminho que não concordamos, aceitar que irão nos surpreender, aceitar que vamos chorar na apresentação da escola, aceitar de que vai passar muito rápido e que o que vai valer a pena foram os momentos que vocês passaram juntos.

Que eu me lembre, por enquanto, é isso. Sempre que surgirem outras coisas eu vou atualizando aqui!
E aí, o que achou? :)

Sugestão de leitura:
Maternidade e o encontro com a própria sombra - Laura Gutman
O Poder do Discurso Materno - Laura Gutman
Mulheres visíveis, mães invisíveis - Laura Gutman (este é um apanhado com vários textos da autora. Vale a pena para quem quer ter uma noção geral do que ela diz)
Besame mucho - Como criar seus filhos com amor - Carlos González (é difícil encontrar para vender, eu só consegui o pdf pela internet)
O livro da maternagem - Dra. Relva
Educar sem violência: criando filhos sem palmada. Ligia Moreiras Sena e Andréia Mortensen
Soluções para noites sem choro - Elizabeth Pantley
Memórias do homem de vidro - Ricardo Jones
Entre as orelhas. Histórias de Parto - Ricardo Jones

Nessa loja virtual tem vários outros títulos interessantes e que valem muito a pena!

Existem depois um sem fim de blogs, artigos, páginas... Cabe a você decidir quão fundo você quer ir nesse novo mundo da maternidade ou da felicidade :)



Você pode ter estranhado eu não ter falado do lado "bom" disso tudo, mas minha intenção neste texto não foi essa. Até porque eu não considero todas essas coisas "ruins". Sou grata por cada momento e situação que passei pois foram oportunidades únicas de aprendizado que eu jamais teria se não fosse mãe <3  E também porque não sou muito boa em dizer sobre o indizível e o infinito...
Confiscado ;)





domingo, 3 de novembro de 2013

1 ano e meio

18 meses, 1 ano e 6 meses.
De, com e do Dudu.
Com 1 ano, devido a mudança, não consegui deixar um breve relato das suas conquistas.
Com 1 ano e meio, parece que ficou mais fácil de perceber suas mudanças.
Já percebemos ele grande, e com a barriga ("biguiga") de bexiga um pouco menor :P
De um dia para o outro consegue fazer coisas que antes não fazia. Subir sozinho no escorregador do parque foi uma delas! Me surpreendi e comemorei mais que ele.
Tem um vocabulário imenso para a idade. Pelo menos todos no ônibus ficam espantados com suas palavras e conversas e sempre vem me contar do neto/bisneto que não falava e só melhorou depois que entrou para a escola.
Ainda acorda para mamar a noite e tem dias que não sossega enquanto não sai leite.
Tomou seu primeiro susto com o cachorro do vizinho que pulou do carro e latiu para ele que estava no chão. Ficou repetindo "au-au" umas 100 vezes, e depois que eu expliquei que o "au-au" estava brincando, o "bincando" se somou ao "au-au", juntamente com o "sai".
Fica extremamente feliz com visitas em casa. Ri, corre, imita a risada, fala alto, quer mostrar as coisas. Uma fofura!
Foi batizado pelo Frei Afonso, primo da vovó, numa cerimônia linda e simples, mas muito siginificativa.
Participou de sua primeira manifestação, a Marcha Pelo Parto Humanizado. Pedindo paz ao nascer, além de "beichaichas" (bolachas).

Continua com o apetite de "pedreiro", mas tem variado os dias que come super bem com outros que almoça beterraba e beringela.
Ficou ainda mais apegado ao pai e muitas vezes só consigo fazer coisas com ele, se o pai estiver por perto, como trocar as fraldas.
A-DO-RA andar de bicicleta ("biquéta"), na cadeirinha ("cad-iiiinha").
Já diz "eu ti amo/tianu", em situações em que cabe a sentença. Um tanto curioso, e imensamente apertável!
Diz bom dia, boa tarde e boa noite, também nas situações onde a própria mãe esquece de dizer (:x).
Demonstra um certo receio do escuro ("cuiu"), e uma vergonha charmosa de amigos que se aproximam de nós e falam diretamente com ele.
Já subiu na cadeira e dali para a mesa, e também já caiu dali.
Já memoriza muito bem algumas coisas. Depois de 3 dias encontrando a mesma pessoa com um bebê no parquinho, no 4º dia, ao sair de casa ele diz o nome da pessoa e "neneee".
A mãe está cada vez mais apaixonada e agradecida por esse tesouro. Agradecida a Deus e ao esposo maravilhoso que guenta as pontas pagando as contas enquanto a mãe coruja cuida do pingo de gente, futuro da nação.
Confiscado.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

sobre criar filhos e a ignorância

Esses dias saiu uma matéria no facebook do estadão apontando que a ignorância é a principal causa da mortalidade infantil. Mais detalhes aqui.
Fiquei pensando bastante no assunto e queria extrapolar a simples "ignorância escolar" digamos assim, pois segundo a pesquisa é o analfabetismo que tem um impacto significativo nos índices de mortalidade. Mas e a ignorância velada? Aquela que consentimos. Essa também me deixa preocupada.

Alguns podem achar que é besteira, que eu deveria me ocupar do meu filho só e pronto. É verdade, até certo ponto... porque o meu filho vai conviver com os filhos das outras pessoas, e dessa forma, o "ambiente" tem uma certa influência no meu filho. Por isso acredito que vale a pena escrever sobre isso que tenho em mente.
Para outros posso parecer insistente ou intrometida, o que também pode ser verdade, mas pode ser também que alguém só esteja precisando de umas poucas informações para começar a pensar diferente, então vou ser provocativa e dizer que se você acha que está fazendo tudo bem na criação do seu filho, pode parar a leitura por aqui.

Isso não quer dizer que vou te apontar o que está errado, porque sinceramente, ninguém teria esse poder a não ser você mesmo de julgar e perceber o que está errado para você. Só quero dizer que, bem, deixa eu parar de enrolar e falar logo.

Em várias ocasiões já disse que a ignorância é uma benção! No caso de partos, quando me tornei vegetariana, ou quando decidi parar de trabalhar para cuidar do meu filho, entre outros. Tudo isso porque quando decidi parar de ignorar as informações que chegavam até mim, eu tive muito mais trabalho! E hoje o que menos queremos ter é trabalho a mais.
O que acontece por exemplo, quando uma mãe resolve não ignorar os benefícios da amamentação e toda aquela história que tentam colocar na nossa cabeça de que não temos leite suficiente (entre outras)? Acontece assim:
"Mas 38 dias, 2 mastites e 230 tentativas depois (obrigada calculadora do mac!) consegui finalmente fazer a Alice mamar no peito."
O engraçado foi que essa mãe, falou da ignorância também:
"Queria eu ser ignorante. Dessa forma, eu não saberia dos benefícios da amamentação, e desistiria logo, e minha vida teria sido bem mais fácil. Amamentar faz bem a todos os bebês, mas o que me impulsionava ainda mais a não desistir é saber como a estimulação dos músculos do rosto e a criação de defesas que o leite proporciona são benéficas para a Alice, sob a ótica da SD."
A Alice tem Síndrome de Down (SD) e conheci sua história no blog que sua mãe tem: Nossa vida com Alice.

Eu tive um problema na amamentação, quando o Dudu tinha 1 ano e 1 mês mais ou menos. Seus dentinhos superiores cresceram e me incomodavam bastante na hora da amamentação, ficava a marquinha até. E digo, o mais fácil para mim teria sido desmamá-lo. Mas vendo a necessidade que ele ainda tem do peito, do aconchego, e sabendo que vai ter vezes que ele ficará doente (como agora) e a única coisa que ele quer saber é peito... como eu poderia desmamá-lo? Busquei ajuda, me informei, tentei várias coisas. Mas não resolveu por completo o problema, então eu percebi que teria que me adaptar caso quisesse continuar a amamentá-lo.
Não sei se já repararam, mas toda caixinha de leite tem um aviso do Ministério da Saúde sobre manter o aleitamento materno até 2 anos de idade ou mais. E porque o governo teoricamente trabalha no sentido da amamentação prolongada e os médicos no sentido contrário, ao introduzir alimentos antes dos 6 meses e ao prescrever complementos? E porque a Sociedade Brasileira de Pediatria é patrocinada pela Nestlé? Não acredita? Olha aqui: http://www.sbp.com.br/ no canto direito superior.
Pode ser "teoria da conspiração", mas porque uma sociedade médica precisa de patrocínio de uma grande empresa produtora de alimentos ditos "infantis" (leia-se leite artificial e papinhas e suplementos entre outras desnecessidades para bebês)? Os médicos não deveriam prescrever o que for melhor para os bebês?
Então, vamos ignorar essas informações e acreditar que o seu leite não é suficiente? Afinal foi o pediatra que disse! Já ouvi inúmeras explicações do porque se está oferecendo complemento ao bebê, mas nunca ouvi até agora ninguém dizendo que o pediatra encaminhou a uma conselheira de amamentação ou a um programa de apoio ao aleitamento materno. Você acha mesmo que um leite industrializado é melhor que o seu?
As pessoas lutam por um emprego com unhas e dentes, fazem das tripas coração para desenvolver um projeto para o trabalho, demonstram garra, coragem, questionam, buscam. Mas na hora que o assunto é o seu filho, confia-se cegamente no médico e rapidamente abandona-se o desejo inicial de amamentar a cria.
É realmente absurdo ter que "lutar" para amamentar. A pressão vem de todos os lados. Por isso, veja bem o que você vai decidir ignorar.

Continuando no tema de o que decidimos ignorar, encontrei esse outro texto em que a autora diz:
"É muito cômodo escolher o caminho fácil quando não temos informação, ou quando elas nos chegam de forma parcial. E naquela época, eu queria me cercar de facilidades."
É um texto bem interessante, sobre quem errou, assumiu o erro e resolveu mudar. Quem quiser ler, está aqui.

E para não me alongar mais, o que quero dizer agora é ainda mais delicado e polêmico: violência infantil.
Quando ouço histórias de crianças que apanharam dos pais na infância, preciso amarrar um monstro dentro de mim para não me deixar dominar pela revolta.


E não, ele não é tão simpático como esse aí do desenho, como podem observar pelo teor dos meus questionamentos.
Antes de começar a ler sobre o assunto eu, na minha ignorância, achava que um tapinha na bunda de vez em quando não fazia mal. Mas depois de conhecer sobre disciplina positiva, depois de me informar sobre as consequências da violência infantil, criação com apego... eu digo: um tapinha faz mal sim.
É bem capaz que se alguém vier me contar de como apanhou na infância eu comece a chorar e tenha sérias dificuldades em olhar para seus pais com os mesmos olhos. O tema me revolta!
Lembro claramente de uma cena quando era criança. Estávamos brincando e uma menina se machucou. Sangrava bastante seu joelho, então falei, vamos mostrar para sua mãe. E ela mais do que depressa, com um olhar assustado diz: não! Ela vai brigar comigo!
Oi?!
Lembro que aquilo me causou uma grande confusão. Por que ela iria brigar com a menina por ter se machucado?? Não me fazia sentido e até hoje não faz... e quantas histórias assim eu já não ouvi!
Por que brigar com uma criança que se machucou, quando o mínimo seria cuidar dela, que, lembrando, é seu filho?!

Um dos argumentos que mais me chamou a atenção quando comecei a ler sobre o assunto foi: se um amigo ou seu companheiro(a) se comporta mal, comete algum erro, faz aquela besteira, você daria "um tapinha" nele para ensinar que isso está errado? É muito provável que não! E por que então é aceito que se faça isso com crianças? Porque elas não conseguem se defender? Porque é preciso "educá-las"?
Que tipo de educação terá uma criança que aprende que ao fazer uma coisa errada o que acontece é uma surra? Será que ela vai reproduzir esse comportamento na escolinha? Afinal "lá em casa é assim"...
Pare um pouco, se coloque no lugar da criança.
No livro Besame Mucho - Como criar seus filhos com amor, o pediatra espanhol Carlos González faz uma reflexão muito interessante sobre o assunto. Recomendo.
Você acha mesmo que provocar o medo (de apanhar, de gritos, de bronca) é a melhor maneira de ensinar o certo e o errado?
Como você faria se fosse um adulto?
"Ah, mas as crianças não entendem."
Tem certeza? E quantos adultos também não entendem e repetem o erro? E você bateu neles por causa disso?
Meu esposo disse uma coisa que tem um certo sentido. As pessoas batem no ímpeto, mas aí aquilo funciona: Dei-lhe um tapinha e nunca mais fez aquilo! Então cria-se um método. Que vai depender de quanto a criança te tira do sério. E de tapinha passa para chinelada, para cintada, e quando se vê, tem crianças sendo literalmente espancadas (sob o manto de proteção da "educação"), por aqueles que deveriam protege-las, seus pais!
Mas tem gente que fala muito melhor sobre o assunto do que eu, por isso vou citá-los.
"Então, se você acha que tudo bem dar palmadas para ensinar (palmadas que assustam, humilham, envergonham e ferem, dia a dia, a autoestima de uma criança); se você acha que tudo bem deixar chorar até dormir (e produzir aflição e sensação de abandono e desamparo em um bebê que acabou de chegar ao mundo e que, tão cedo, está aprendendo que não adianta chamar porque sua mãe e seu pai não o atenderão); se você acha que tudo bem trocar o peito por mamadeira ainda que você tenha total condição de amamentar (deixando de permitir que seu filho se alimente de você e tenha momentos da mais pura intimidade, cumplicidade e conexão); se você acha que tudo bem marcar sua cesariana antes que seu bebê esteja pronto para nascer, se você acha tudo bem tudo isso, saiba: você está no seu direito. Mas isso não faz desaparecer tudo o que sabemos hoje. Isso não anula o futuro. Isso não protegerá seu filho de algo importante: más consequências. Frutos de más escolhas não dele, mas de seus pais." 
E aqui sobre estudos científicos a respeito do assunto. 
"Essa semana foram publicados, no periódico PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America) os resultados de um estudo que mostra que o bom cuidado materno na infância leva ao aumento de uma estrutura cerebral chamada hipocampo. Estudei bastante as funções do hipocampo em meu mestrado e no meu primeiro doutorado, quando estudei a neurobiologia da ansiedade e da depressão. De acordo com esse estudo, há uma clara relação entre os fatores psicossociais da infância e alterações no tamanho do hipocampo e da amígdala, estruturas cerebrais relacionadas à memória de curto e longo prazo e ao comportamento emocional, respectivamente. Isso mostra que existe, realmente, uma ligação entre as experiências afetivas que a criança vive na infância e a forma como seu cérebro se desenvolve. Os pesquisadores estudaram, por meio de técnicas de neuroimagem que permitem visualizar o cérebro sem procedimentos invasivos, as características cerebrais tanto de crianças em idade pré-escolar deprimidas quanto de crianças emocionalmente saudáveis. E concluíram que o cuidado materno recebido na primeira fase da infância teria, sim, ligação com o tamanho do hipocampo, o que levaria, inclusive, a diferentes padrões de respostas ao estresse. Crianças emocionalmente saudáveis apresentaram hipocampos maiores, quando comparados às crianças deprimidas, e isso pôde ser relacionado ao grau de cuidado materno recebido quando eram menores. Embora quase a totalidade dos cuidadores do estudo tenham sido mães, os autores acreditam que isso possa ser extrapolado para qualquer cuidador que seja o principal responsável pelos cuidados afetivos com a criança (mãe, pai, avós ou outros)."

Teria uma lista de argumentos mostrando as vantagens de criar o seu filho com amor e sem violência. Mas aprendi que muitas vezes de nada adianta vir o próprio Cristo na Terra para nos falar do amor, se não estivermos dispostos a ouvir, como bem cantou Roberto Carlos: Todos estão surdos.


É preciso que a farpa da dúvida nasça no nosso coração para então irmos atrás, desafiarmos nossas ignorâncias, nossos preconceitos, assumirmos o erro das nossas escolhas e possamos então mudar nosso rumo.
Que tanto eu quanto você que me lê possamos apreender isso, sem nunca deixar escapar o amor, a paciência e a compaixão.