sábado, 12 de abril de 2014

informar-se X empoderar-se

O Dudu está próximo de completar 2 anos e junto com isso vem a necessidade de escrever e registrar sobre novos insights que tive ao longo desse 1 ano, principalmente sobre meu "nó emocional", leia-se parto.

1 ano atrás, consegui escrever meu relato de parto e as impressões que tinha na época. Hoje graças a Deus pude ressignificar um pouco mais essa experiência.

Percebo que fui sim vítima de violência obstétrica, vítima do sistema, e também, vítima de mim mesma. Percebo que em alguns aspectos eu "soltei as rédeas", da mesma maneira que fazia quando montava e participava de competições equestres. Soltei e segui a correnteza, ou melhor, segui para onde me levaram: um centro cirúrgico.

O mais marcante para mim foi perceber a diferença entre os termos informar-se e empoderar-se.

Polêmicas a parte, o termo empoderar-se surgiu na minha vida quando engravidei e tive contato com o mundo da humanização do parto.

No início, não gostei do termo e da maneira que era empregado. A palavra poder sempre me intimidou um pouco. E optei por não utilizá-la quando falava sobre o assunto. Só por isso, já tenho um começo que me direcionou ligeiramente para outro rumo.

Me informei MUITO durante a gravidez. Li algumas dezenas de artigos, assisti uns 10 filmes sobre o assunto e li quase uma centena de relatos de parto. No meu próprio relato de parto já havia chegado a conclusão que esse talvez tivesse sido um problema. Hoje penso que mais que um problema, essa informação toda me iludiu. E para tentar explicar isso, preciso usar um exemplo da minha experiência acadêmica.

Em toda minha vida acadêmica, sempre tive notas muito boas, modéstia a parte, me formei entre os 3 melhores alunos da minha turma na faculdade, passei em segundo lugar no vestibular e em segundo lugar também no mestrado. Mas como sempre ouvimos falar, notas não significam muita coisa, e é verdade. Por que? Porque na maioria das vezes, eu sempre tive uma noção geral do assunto e do seu mecanismo. Mas não tinha tudo aquilo dentro da minha cabeça. Sempre precisei de um ponto de início, um fio da meada para me localizar. O modelo de avaliações pelas quais passamos me serviam muito bem neste aspecto. Tanto que nas raríssimas disciplinas que ofereciam questões discursivas nas avaliações, minhas notas já não foram tão especiais assim. Por isso, sempre senti que meu conhecimento, de certa forma, também era uma ilusão, pois não era capaz de armazenar toda a informação necessária para explicar alguma coisa de forma detalhada, como eu acreditava ser necessário caso eu realmente tivesse absorvido e vivenciado o conhecimento.

Vivenciado.

Essa palavra significa muito. E é aqui que as coisas se encontram. Pois acredito que é a partir do momento que incorporamos, engolimos, absorvemos, internalizamos as coisas, que elas passam a fazer parte de nós e tem o poder de mudar nossos hábitos, atitudes, nosso rumo.
Eu me informei sobre o parto, tinha certeza da minha escolha, me preparei como mandava o protocolo (quanta inocência): fiz um plano de parto, tinha uma doula, visitei a maternidade, me certifiquei das possibilidades, me informei, sabia dos meus direitos, tinha um companheiro que me apoiava como podia. Só não tinha um médico de confiança, o que em Portugal não era coisa fácil, pois lá, pelo menos na época, não haviam médicos humanizados (até onde eu sabia).
Mas na hora P (de parto), soltei as rédeas. Percebi isso quando li este relato de parto. No momento que ela questiona a necessidade de mais um CTG durante seu trabalho de parto e entra num acordo de 5 minutos.
"Era isso que eu devia ter feito!!!!!!"
Foi a primeira coisa que me veio na cabeça. Insight.
Mas meu medo de que meu lado intelectual intervisse na hora P, que deveria ser uma hora puramente fisiológica e instintiva, fez com que eu não questionasse certas atitudes, procedimentos, nem nada do tipo. Na minha cabeça, eu havia delegado essa responsabilidade para meu esposo e minha doula. Que fizeram o seu melhor dentro das possibilidades. Mas a hora P era a minha hora. Eu deveria ter assumido essa responsabilidade, me empoderado e lutado pelo que eu queria.

Não tiro a culpa do sistema muito menos do médico.
Eu só queria que me deixassem em paz.


Mas 2 anos depois, eu percebo e assumo minha parcela de responsabilidade pelo que me aconteceu.
Isso faz parte do crescimento, do amadurecimento, do preocessamento do "luto" pelo meu "não parto", e me sinto privilegiada por ter conseguido pensar nisso.

Apreendido. Confiscado. Amarrado.

Pois não foi apenas nesse momento que fiz isso. Quantas e quantas vezes ignorei (consciente ou inconscientemente), coisas que não gostava, e soltei as rédeas, por inúmeros motivos. E depois chorei pelos resultados que recebia.
Quantas e quantas vezes "dormi", psicologicamente falando, quando não fui plenamente consciente do momento presente e do que se movimentava dentro de mim. Ignorando o que queria, por medo de enfrentar certas coisas.
Quantas coisas não confisquei...

Que cada vez mais, sejam menos coisas...

quarta-feira, 5 de março de 2014

12 anos de escravidão e um insight

Assisti nesse carnaval o filme 12 years a Slave (2013) ou 12 anos de escravidão.
Já tinha tido a oportunidade de assistir em outro momento, mas só de pensar em ver cenas de sofrimento, desisti. Só que no dia eu tinha lido que este filme tinha ganho o Oscar. Resolvi arriscar.

Não sei explicar, mas em muitos momentos eu fechei os olhos e em outros eu saí do quarto. Não consegui suportar ver tanto sofrimento. Ver e pensar que tudo aquilo realmente aconteceu, já que o filme é baseado numa história real bem documentada.

O que me chamou a atenção é que isso nunca tinha me acontecido. Lembro de ter assitido Sinhá Moça, e outras novelas/filmes que abordavam o tema mostrando bem a crueldade existente e não ter ficado assim. No máximo pensava no assunto por dois minutos e logo passava para frente.

O que aconteceu então?

Consigo identificar basicamente dois fatores: Sincronicidade e Maternidade.

Sincronicidade porque de repente, tudo que tinha lido e que de certa forma parecia desconexo, durante o filme percebi como estava tudo interligado. Leituras como Dalai Lama, Jung, Thich Nhat Hanh, Augusto de Franco, Campbell, Morin, Bauman, a bíblia, João Bernardes da Rocha Filho e Eckhart Tolle (por último), de repente se uniram e como num "boom" na minha alma, fizeram sentido. Não que antes não fizessem, mas desta vez hove a vivência de algo em específico.
Ganharam sentido porque mentalmente eu entendia o que diziam. Mas com este filme eu senti. Senti o que dizem sobre a dor do outro ser também a nossa dor, e a raiva e o mal do outro também serem o nosso mal.
A tal história de Gandhi, "seja a mudança que você deseja ver no mundo", e a outra que desconheço o autor "não deixe que o mal do outro provoque o seu mal", e por fim: de nada adianta querer mudar o mundo se não mudarmos a nós mesmos, pois fazemos todos parte de uma mesma rede, de uma mesma energia comum, somos filhos do mesmo pai, desdobramentos da mesma consciência universal suprema que tudo cria e tudo transforma.

Nossa, parece que vomitei um monte de coisa do que andei lendo. Mas deve ter sido isso mesmo, pois ao ver apenas uma pequena parte do sofrimento inflingido aos escravos mostrado pelo filme, e ao ver a ira e o ódio daqueles que provocavam esse sofrimento, eu me vi nos dois lados. Reconheci o meu mal nos olhos deles, e reconheci meu sofrimento no choro dos que apanhavam. Parece dramático e bizarro né? Também achei, mas foi assim mesmo que senti. E uma questão ainda maior surgiu: e todas as atrocidades que acontecem ainda hoje e que sequer tomamos conhecimento?? Mas parei por aqui para não surtar.

Sendo assim, uma questão continuava em aberto: Por que eu estava sentindo isso agora? Na hora já me veio a resposta: meu filho. A maternidade me abriu portas e janelas que eu simplesmente era uma completa ignorante. A questão sentimental é uma delas. Muitas vezes optei por ignorar certos sentimentos, na maioria das vezes, inconscientemente. Mas com o meu filho, simplesmente não consigo mais ignorar muita coisa. E isso para mim é uma benção!! Me traz um sentimento de gratidão que só me faz cada vez mais querer ser melhor como pessoa. Tudo isso, entre outros,  por causa de um sentimento com tamanho poder de transformação: o amor.

Confiscado.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

eu consumidora

Não consumista, mas consumidora. Não de coisas materiais, mas de informação.
Não sei como começou, mas desde criança, até bula de remédio e rótulo de champu eu gostava de ler. E ficar repetindo os nomes todos: lauril sulfato de sódio, excipiente q.s.p., ácido acetil salicílico.
Quando cursei a disciplina de farmacologia na faculdade foi como um reencontro com a menininha que lia rótulos (e lê até hoje)
E por isso hoje me percebi uma consumidora de informação.
Esses dias até me veio uma imagem na cabeça, aqueles desenhos de pessoas que chegam a babar de tanto assitir TV.
Sou eu com um livro, uma revista, um blog interessante, uma notícia. O novo post que saiu no facebook daquele blog que eu tanto gosto. Não penso, simplesmente vou lá e consumo o post.
Digo consumo pois foi a forma que encontrei de entender este movimento.
Pois vejam só, uma outra coisa que reparei foi que ao ler a grande maioria de coisas que eu gostaria de ler, o tempo livre que eu teria para produzir algo, foi todo gasto consumindo informação, muitas vezes de forma inconsequente eu diria. Pois inúmeras vezes um post leva a outro, que leva a outro e depois de 2 horas eu paro e penso: Nossa, o que eu tinha mesmo que fazer? E vou ver a minha lista e ainda está tudo lá, por fazer.
Será que isso é vício?
Talvez tenha demorado para me aperceber disso pois mentalmente me justifico: não estou desocupada, estou lendo, estou me informando.
Mas chegou num ponto que percebi que não existe um número suficiente de informação para matar a minha sede de conhecimento. Ponto. Tenho que reconhecer e aceitar isso.
Para depois poder abrir mão de algumas leituras e finalmente conseguir fazer algo com toda a informação que consumo.
Novamente, a imagem da menina fascinada com o parque de diversões e sem saber que brinquedo escolher me vem na cabeça. É tanta coisa legal acontecendo, tanta informação bacana para ler, discutir, partilhar, que no final eu fico só na leitura e raríssimas vezes na prática.
Óbvio que isso não é novidade para mim. Já tinha percebido esse movimento em outras ocasiões.
Desenvolver a parte prática daquilo que acreditamos é um gigantesco desafio, pelo menos para mim. É algo que venho tentando ultrapassar há muito tempo, conforme já registrei aqui.
Uma das coisa que me ajudou nestes últimos dias a liquidar algumas tarefas pendentes foi não começar a fazer várias coisas ao mesmo tempo, principalmente coisas que sei que vão tirar minha atenção, como o facebook por exemplo.
As leituras do blog Vida Organizada também foram fundamentais. Novamente, de nada adianta ler milhares de coisas se não colocá-las em prática.
Mas pelo visto isso é um assunto que "assombra" outras pessoas, conforme relatado aqui, mas abordando um outro ponto de vista, o da ilusão das relações sociais virtuais.
Agora então, mãos a obra! Mais uma vez...

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

a minha experiência - texto escolhido

É com muito alegria que venho aqui partilhar a minha participação como "Leitora Super Inspirada" da rede Maternarum.
O Maternarum tem como missão incentivar o empreendedorismo materno e desde que me mudei para Curitiba tenho acompanhado e participado de alguns eventos promovidos por eles.

Por isso, este post também é um agradecimento a eles, que me proporcionaram mais alguns passos nessa caminhada. Muito obrigada!

O texto pode ser lido aqui: http://maternarum.com.br/a-minha-experiencia-leitoras-super-inspiradas/

Confiscado ;)

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

a reflexão dos 30

Começei a escrever isso em 29/10, e mais outras coisas até chegar o tal dia dos 30. Mas esse primeiro foi o mais perto que cheguei dos sentimentos e emoções que os "30" me trouxeram.

A reflexão dos 30.
Começo pelo passado. Uma das primeiras coisas que me veio em mente foram os meus 15 anos e um livro que li “Meus vários 15 anos”.
Aos 15, sonhava com uma festa “tradicional”, com vestidos deslumbrantes, jantar e valsa. Num típico delírio consumista deslumbrante. Mas ao mesmo tempo, meu lado “do contra” trocou a festa por um cavalo. E isso foi determinante. Aos 15, ganhei algo que mudou e determinou uma boa parte da minha vida. Iceberg, um cavalo meio sangue quarto de milha que me desafiou em inúmeros aspectos, e que hoje me provoca um misto de vergonha e agradecimento. Vergonha pois foi nesta época que achei que violência, com animais, resolveria alguma coisa. Vergonha por hoje perceber que o cavalo era um objeto que eu utilizava para descarregar minhas frustrações. Vergonha por ter demorado a perceber que mesmo eu batendo ou tentando “ensinar” alguma coisa a ele, isso não aliviava minhas frustrações. Vergonha por ter tentado ser uma boa amazona por tantos anos e não ter conseguido. Vergonha por inúmeras outras coisas que vivi com os cavalos e seu “meio moderno”.
Agradecimento por tudo que aprendi. Pelos dias que chorei por não ter conseguido. Pelas provas que perdi, pelas competições que participei, que tiveram um papel importantíssimo na aproximação de meu pai. Pelos lugares que conheci, pelas pequenas provas que fui tendo ao longo do caminho de que é possível fazer as coisas com animais sem usar a violência e que culminaram com a minha opção de me tornar vegetariana e aos poucos ir adquirindo o respeito à vida.
Ah, a violência. Em suas inúmeras formas de expressão. Que hoje através da maternidade tem mexido tanto comigo. Violência e exploração animal, violência infantil, o que há de comum? Em ambos os casos, é violência contra um ser que não consegue expressar seus desejos de uma maneira clara para nós “adultos civilizados (?!)”. Um ser que nem sempre obedece nossas vontades e nós, na nossa megalomania do ego, achamos que deveriam ter praticamente força de lei, pois nós somos os adultos e temos o poder.
Aos 30, formada, com marido e filho, feminista recém descoberta, empreendedora tímida, contestadora, ou como diria minha mãe: procuradora de cabelo em ovo.
Na confusão dos 15, sonhava que com 30 tudo estaria resolvido ahahahahhahahahahhahahhaahahahaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
É engraçado e me deixa desesperada ao mesmo tempo. Contraditório, como sou em muitos aspectos.
Portadora de uma subjetividade que me engole, num emaranhado de possibilidades cada vez mais complexas. Até descobrir a complexidade de Edgar Morin e me sentir um pouco compreendida (por mim mesma, vejam bem).
Aos 30 posso assumir que dentro de mim, meu grande desejo “material” sempre foi o da maternidade. Por mais que eu tentasse ter um grande desejo na carreira profissional, como é o esperado nos dias de hoje: ser alguém bem sucedido, isso não me satisfez. Até que após o mestrado, com 25 anos, assumi que não sabia o que fazer da vida. Assumi minha dificuldade de me encontrar e prover o meu próprio sustento. Assumi minha incapacidade de abandonar o lar e cair no mundo na luta desenfreada da sobrevivência. Com uma faculdade e uma mestrado nas costas, fui fazer cookies e cupcakes e fazer bico em empresa de decoração de casamento. No meio tempo conheci meu futuro marido, que morava em Portugal. Portugal?! Nunca pensei em ir a Portugal. O mais perto que cheguei foi o clube Português e o tradicional bacalhau. Pensei em voluntariado, o sangue sagitariano bateu forte e rumei além mar. Para mais uma vez me descobrir incapaz. Descobrir e sozinha criar coragem para assumir o fracasso e a necessidade de uma vida menos aventureira ou mais confortável. Meu outro sonho de cair no mundo fazendo voluntariado foi se embora no Montijo, a beira do Tejo.
Mais uma vez tive que me reinventar e dessa vez, buscando começar minha própria família, fui contra meus instintos, numa tentativa de me enquadrar no padrão da sociedade cuja pressão eu sentia como: tens que trabalhar e ganhar dinheiro. Fiz o que eu sabia fazer, fui estudar. É o que faço melhor, não tenho grandes dificuldades, vou ter um salário e essa parte vai ficar tranquila para eu poder cuidar das outras. Eu estava imensamente feliz por ter encontrado meu esposo e aceitei profundamente agradecida a oportunidade de cursar um doutorado.
Veio a maternidade e desmoronou tudo que eu vinha tentando construir na tentativa de me enquadrar na sociedade. Ainda numa última tentativa, deixei meu filho numa creche, indo contra todos os meus instintos que bradavam vorazmente contra isso. Não funcionou. Me armei até os dentes e bati o pé: para a creche meu filho não volta.

Assumi, porque agora já nãe era só a mim que influenciava, era alguém que nutro profundo amor, alguém simbiótico, meu filho. Encarei os julgamentos alheios, a não concordância do meu esposo, e a perda da “independência financeira”. Eu precisava do meu filho e ele de mim. Era isso que eu sentia, claro! E a lucidez que de  tempos em tempos me visita bateu palmas de felicidade. “Ela conseguiu ouvir seu coração”, aleluia! Obrigada filho, por me dar forças no seu sofrimento, para que eu conseguisse tomar uma decisão.

Aos 30, me descubro feminista. Me descubro intolerante. Me descubro caminhante. Me descubro uma meia-ativista. Descubro que pequenas coisas que vão acontecendo ao longo dos anos tem um poder (que não lhes foi dado) de destruir coisas grandes. E que quando as percebemos destruidas, não sabemos dizer o que a destruiu. Não é como uma chuva forte que destelha uma casa. É como uma chuva mansa, que vai se infiltrando na terra e faz cair o barranco. E aí você olha e diz: mas estava chovendo tão fraquinho, como isso foi acontecer?
Fragmentos...
Aos 30, nunca imaginei tamanha revolução ou significado. Pela primeira vez me cantaram parabéns e não fiquei envergonhada. Estava inexplicavelmente a vontade. 
Esses dias, depois de assistir um vídeo (http://vimeo.com/66058153), ao ouvir a palavra “blessed”, foi como se uma porta tivesse se aberto. Me lembrei do texto que escrevi na aula de Public Speaking, onde falei sobre Joseph Campbell e sobre encontrar sua “bem aventurança” ou bliss. No auge da minha necessidade de encontrar uma...

Não sei onde foi parar o texto agora, talvez esteja perdido em alguma conta de e-mail ou em algum caderno jogado entre as mudanças que fiz. O fato é que tive um insight, ou pelo menos pareceu um: minha bliss é a maternidade. Isso é o que sempre quis! Pronto, assumi. Levei 30 anos para descobrir (?!). Talvez seja uma das minhas bliss, mas essa eu sinto do fundo do meu coração que é. Também assistindo um outro vídeo li a frase: “Maternidade: Uma ruptura existencial” o que também me fez muito sentido! Nada na minha vida até hoje foi tão revolucionário quanto a maternidade. Minha história com os cavalos foi determinante para muita coisa, e agora, 15 anos depois, uma nova etapa, uma nova revolução: a maternidade. Será que estou influenciada pelo livro “Meus vários 15 anos”? Ou será que esse período realmente tem algum significado nas fases que passamos?
E nesse meio tempo da maternidade, acreditem, várias ideias já passaram por essa cabeçinha. Doula, cake designer, empreendedora, um café-livraria-floricultura, jornalista científica, free lancer de textos científicos, e aos poucos fui identificando uma vontade de ser jornalista. De escrever as coisas que vem na minha cabeça. A escrita sempre foi uma via de mão dupla para mim. Ao mesmo tempo que morro de preguiça, outras vezes, escrever é a única solução para eu me entender e organizar meus pensamentos um pouco.
Infinitas possibilidades como sempre...
Passei o dia 6 trabalhando, fazendo e assando panetones, chocotones e cookies. Confeitando bolos e cupcakes. No dia seguinte iria participar da Feira do Empreendedorismo Materno. Que significativo! 
Confisco o necessário, pois significar algumas coisas tem sido cada vez mais complexo. 
Aos 15 ganhou um cavalo, aos 30, fez um bolo de cavalo. Sem mais divagações. Que venham mais 15 :)

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

o dia que descobri a minha intolerância

Era 24 de dezembro de 2009, precisava ir ao mercado. Fui logo cedo para evitar a "muvuca". Não adiantou muito. Mas como só precisava de duas coisinhas, ok. Fui até o caixa rápido e uma senhora e uma moça estavam juntas, cada uma com um carrinho cheio, que com toda certeza ultrapassava o limite de 10 itens do caixa rápido. Já me passei! Comentei com a minha irmã como tem gente abusada!!! E aquilo ficou fermentando dentro de mim.
" Que povo sem noção!! Não estão lendo a placa que limita o número de itens? Que falta de respeito com os outros!!"
" E a caixa que não diz nada. Era serviço dela limitar o acesso as pessoas que ultrapassam o limite de itens!! Que incompetência!!"
" Isso não está certo, vou falar alguma coisa." "Não Iris, deixa pra lá, é Natal, relaxa" "Não dá, é por a gente ficar quieto diante dessas irregularidades que coisas assim continuam acontecendo, no mercado e em inúmeros outros lugares! Isso não está certo!"
Pronto, era o argumento que eu precisava. Não seria conivente com aquilo.
Perguntei para a senhora se ali tinham 10 itens.
Claro que a senhora já topou o que eu estava querendo e falou que a compra era dela e da filha dela.
Ahmmm, fiz eu. É porque tem um limite de itens sabe, já que aqui é um caixa rápido.
Então a senhora resolveu comprar briga: Você está querendo dizer que eu estou errada?
Não não minha senhora, se a senhora diz que está tudo bem, então está tudo bem!Eu devo ter me enganado. Um feliz natal para a senhora!
A minha ironia pegou ela de surpresa, e sairam resmungando qualquer coisa.
Eu dando uma de santa, ainda comentei com a caixa como o pessoal ficava estressado nessa época.

Não sei bem se foi em seguida ou durante o dia, mas como num passe de mágica, o insight apareceu.
EU SOU INTOLERANTE.
Juntamente com isso veio uma coisa ainda mais interessante. A intolerância te dá poder. Pois os argumentos que você usa internamente te garantem que VOCÊ está certa. E como não lutar pelo certo???
Eu não consigo.

Percebi como essa intolerância alcançava diversos aspectos da minha vida, tipo um polvo sabe.
Tinha discussões tremendas com meu pai sobre a maneira que ele fazia as coisas no sítio (dele), principalmente as relacionadas a veterinária, curso que me graduei. Essas discussões muitas vezes me transtornavam. "Caramba, se eu estou dizendo que o certo é assim, por que ele não quer fazer????" O certo, o poder do certo. Nada mais existia além do "certo", do MEU "certo".

Por isso é tão difícil se desvencilhar da intolerância. Ela te dá poder.
Envolvendo valores internos de cada um, que muitas vezes nos estruturam, fica muito difícil se deixar perceber que existem outros "certos" além do seu.

Não sei se tenho uma dica ou receitinha para lidar com a intolerância. Para mim, só o fato de reconhecer ela na minha personalidade, foi um passo gigantesco. Hoje já consigo sentir em alguns momentos quando a intolerância vem chegando para me dominar. E a primeira coisa que penso é: RESPEITO.
Não posso, nem devo obrigar as pessoas a pensarem da mesma maneira que eu. Por mais que eu ache, tenha certeza, desse a minha vida por determinada coisa, julgando ser o certo. Continuo limitada a uma única e irresistível coisa: o exemplo.
É o máximo que posso fazer. Se considero minha ideia/atitude tão certa assim, a única maneira eficiente de mostrar para outras pessoas isso, é sendo o exemplo do que acredito. Ou como diz aquela famosa frase: Seja a mudança que você deseja ver no mundo.
Se me pedem a minha opinião, eu sou muito clara (ou pelo menos tento), mas em alguns momentos consigo me limitar apenas em dar a minha opinião, e deixar a outra pessoa livre para encontrar o que for melhor para ela.
Não, nem sempre é tão simples assim. Mas só de perceber certas nuances e movimentos, já é extremamente libertador.

Confiscado.

domingo, 3 de novembro de 2013

1 ano e meio

18 meses, 1 ano e 6 meses.
De, com e do Dudu.
Com 1 ano, devido a mudança, não consegui deixar um breve relato das suas conquistas.
Com 1 ano e meio, parece que ficou mais fácil de perceber suas mudanças.
Já percebemos ele grande, e com a barriga ("biguiga") de bexiga um pouco menor :P
De um dia para o outro consegue fazer coisas que antes não fazia. Subir sozinho no escorregador do parque foi uma delas! Me surpreendi e comemorei mais que ele.
Tem um vocabulário imenso para a idade. Pelo menos todos no ônibus ficam espantados com suas palavras e conversas e sempre vem me contar do neto/bisneto que não falava e só melhorou depois que entrou para a escola.
Ainda acorda para mamar a noite e tem dias que não sossega enquanto não sai leite.
Tomou seu primeiro susto com o cachorro do vizinho que pulou do carro e latiu para ele que estava no chão. Ficou repetindo "au-au" umas 100 vezes, e depois que eu expliquei que o "au-au" estava brincando, o "bincando" se somou ao "au-au", juntamente com o "sai".
Fica extremamente feliz com visitas em casa. Ri, corre, imita a risada, fala alto, quer mostrar as coisas. Uma fofura!
Foi batizado pelo Frei Afonso, primo da vovó, numa cerimônia linda e simples, mas muito siginificativa.
Participou de sua primeira manifestação, a Marcha Pelo Parto Humanizado. Pedindo paz ao nascer, além de "beichaichas" (bolachas).

Continua com o apetite de "pedreiro", mas tem variado os dias que come super bem com outros que almoça beterraba e beringela.
Ficou ainda mais apegado ao pai e muitas vezes só consigo fazer coisas com ele, se o pai estiver por perto, como trocar as fraldas.
A-DO-RA andar de bicicleta ("biquéta"), na cadeirinha ("cad-iiiinha").
Já diz "eu ti amo/tianu", em situações em que cabe a sentença. Um tanto curioso, e imensamente apertável!
Diz bom dia, boa tarde e boa noite, também nas situações onde a própria mãe esquece de dizer (:x).
Demonstra um certo receio do escuro ("cuiu"), e uma vergonha charmosa de amigos que se aproximam de nós e falam diretamente com ele.
Já subiu na cadeira e dali para a mesa, e também já caiu dali.
Já memoriza muito bem algumas coisas. Depois de 3 dias encontrando a mesma pessoa com um bebê no parquinho, no 4º dia, ao sair de casa ele diz o nome da pessoa e "neneee".
A mãe está cada vez mais apaixonada e agradecida por esse tesouro. Agradecida a Deus e ao esposo maravilhoso que guenta as pontas pagando as contas enquanto a mãe coruja cuida do pingo de gente, futuro da nação.
Confiscado.